domingo, 13 de dezembro de 2009

sábado, 12 de dezembro de 2009

O Que é FILOSOFIA?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

SER E TEMPO

HEIDEGGER

Introdução

Filósofo alemão que escreveu sua filosofia em linguagem altamente cifrada e, apesar de que o dizem dificilmente compreensível, é romanticamente cultuado por um grande número de admiradores de fragmentos poéticos do seu pensamento sobre o Ser. No entanto, ele próprio desistiu de suas idéias, preferindo não publicar o segundo volume de sua obra principal, o "O Ser e o Tempo". Fervoroso adepto do nazismo antes da derrota da Alemanha na segunda guerra mundial, para muitos foi um pensador original, um crítico da sociedade tecnológica do século XX. De sua obra ficou a designação de "Existencialismo" para a corrente de pensamento anti-determinista fundada por Kierkegaard e à qual se filiou. Foi um escritor prolífico: calcula-se que reunir tudo que escreveu daria uns 70 volumes

MARTIN HEIDEGGER

Nascido em 26 de setembro de 1889 (Floresta Negra), Alemanha, Martin Heidegger por toda sua vida madura Heidegger esteve obcecado pela possibilidade que há um sentido básico do verbo "ser" que jaz atrás de sua variedade de usos.

Seu pai foi um sacristão católico, incumbido das vestes e dos objetos sagrados, de tocar os sinos e também de cavar as sepulturas no interior do templo.

Heidegger mostrou uma preocupação religiosa precoce e teve seu interesse despertado para a filosofia ainda ao tempo de seus estudos básicos, através da leitura do filósofo católico do final do século XIX Franz Brentano

De seu estudo inicial de Brentano procede também seu entusiasmo pelos gregos, especialmente os pré-socráticos. Após terminar os estudos básicos, Heidegger entrou para a ordem dos Jesuítas. Como noviço, estudou a Escolástica (filosofia cristã medieval) e a teologia tomista, na universidade de Freiburg.

. Suas concepções quanto ao que existe, é uma Ontologia (o estudo do que é, do que existe: a questão do Ser) dependente dos filósofos antes de Sócrates, da filosofia de Platão e de Aristóteles, e dos Gnósticos. Foi influenciado ainda por diversos filósofos do século 19 e do início do século 20, principalmente pelo pensador católico dinamarquês Søren Kierkegaard e pelos filósofos alemães Friedrich Nietzsche (1844-1900) e Wilhelm Dilthey (1833-1911, e pelo seu mestre e fundador da fenomenologia (o estudo do modo como as coisas se manifestam), Edmond Husserl (1859-1938).

A determinação o substrato da dissertação doutoral do jovem Heidegger partiu da fenomenologia de Husserl, e especialmente sua luta contra a inclusão da psicologia nos estudos essenciais do homem. Ele conduziu ao nível filosófico. Suas proposições objetivavam descobrir maneiras de ser.

Maturidade

Moço ainda e agora um colega de Husserl, era de esperar que Heidegger levasse o movimento fenomenológico mais longe dentro do espírito de seu antigo mestre. Entretanto, de grande vocação religiosa, ele preferiu seu próprio caminho, e em 1927 surpreendeu o mundo filosófico alemão com Sein und Zeit ("O ser e o tempo", 1962) -- um trabalho que, embora quase impossível de se ler, foi imediatamente considerado ser da maior importância.

O livro foi aclamado como um trabalho profundo e importante não somente em países de língua germânica, mas também nos países latinos, onde a fenomenologia era já bem conhecida, mas a língua alemã nem tanto.

Ele Influenciou fortemente Jean-Paul Sartre, na França e outros existencialistas, e, apesar dos protestos de fé do próprio Heidegger, ele foi considerado, por força deste livro, como um líder do existencialismo ateu.

Em "O ser e o tempo", o propósito declarado de Heidegger é trazer à luz o que significa ser para o homem, ou "como é ser". Pode se dizer que o aspecto messiânico da sua filosofia está em levar cada homem a fazer essa pergunta com o máximo envolvimento.

Na crise atual da humanidade, já seria bastante que o homem se detivesse nesta reflexão; e ele eventualmente chegará ou não a qualquer resposta definitiva, torna-se de importância secundária. Sem esta reflexão, o homem segue uma maneira não autêntica de ser, em uma alienação que o desenvolvimento tecnológico agrava cada vez mais.

FILOSOFIA

O conhecimento

Tradicionalmente, o conhecimento implicava a dicotomia da relação sujeito-objeto, em que o homem, como cognoscente, é algo dentro de um ambiente que ele confronta.

Para Heidegger, esta relação deve ser transposta. O Saber mais profundo, ao contrário, é matéria do phainesthai (grego: "mostrar-se" ou "estar na luz"), a palavra da qual fenomenologia, como um método, é derivada.

Algo está exatamente "lá" na luz. Assim, neste conhecimento profundo, a distinção entre o sujeito e o objeto não é imediata, mas vem somente depois com a conceitualização, como nas ciências. Então o homem existe segundo certos fenômenos, que são os modos como ele está lá, na luz (Dasein, o "o ser" em alemão é, etimologicamente, a palavra da, que significa "lá" com a palavra sein, que significa "estar")

Terminologia

Heidegger evita termos das ciências sociais ou da psicologia tanto quanto possível, em favor de uma terminologia ontológica. Viu-se então na necessidade de criar uma terminologia nova, palavras novas para exprimir seu pensamento. Foi criticado por desenvolver seu próprio alemão, seu próprio grego, e seu próprio tipo de etimologias.

Inventa, por exemplo, aproximadamente 100 palavras complexas novas que terminam com "- sendo." Ao ler seus trabalhos se deve, assim, traduzir muitos de seus termos chaves de volta em palavras gregas a fim de entender suas interpretações e etimologias.

Isto faz um risco que, ao "interpretar" a filosofia de Heidegger, alguém esteja na verdade, criando, pelo menos em parte, "uma filosofia de Heidegger"

Os existenciais

Heidegger divide a existência em três "estruturas existenciais": afetividade, fala e entendimento. São três fenômenos existenciais que caracterizam como as coisas do passado, do presente e do futuro se manifestem para o homem e a unidade desses três fenômenos constitui a estrutura temporal que faz a existência inteligível, compreensível.

1) a afetividade: as coisas do passado chegam ao homem como valores, afetando-lhe os sentimentos, que podem ser públicos, compartilhados, e transmissíveis.

2) a fala: no presente, as coisas se traduzem em palavras da linguagem na articulação dos seus significados

3) o entendimento: as coisas do futuro, onde o projeto que define o homem encontrará a morte, são as coisas não garantidas, que lhe são devolvidas para gerar nele o sentimento de que não está em casa neste mundo, mesmo estando entre as coisas que lhe são mais familiares.

Portanto, no homem, o ser está relacionado ao tempo e está dado, - existe -, nestes três fenômenos, nestes três "existenciais".

A alienação

O homem está fora das coisas, diz Heidegger em "O ser e o tempo", nunca sendo completamente absorvido por elas, mas não obstante não sendo nada, à parte delas.

O homem vive, até o fim, em um mundo no qual ele foi jogado. Sendo algo jogado em meio às coisas, estando - lá (Dasein), constitui algo à parte mas está no ponto de ser submergido nas coisas.

É continuamente um projeto; mas ocasionalmente, ou mesmo normalmente, pode ser submergido nas coisas a tal ponto que é absorvido nelas temporariamente. O homem encobre aqueles condicionantes existenciais, aquilo que ele de fato é, entregando-se a uma rotina de superficialidades "públicas" na vida cotidiana.

Não é então ninguém em particular; e uma estrutura que Heidegger chama das Man ("o eles ") é revelada, como uma tendência da alienação de si mesmo que leva o homem à tendência de se conhecer apenas através da comparação que faz de si mesmo com os outros indivíduos seus pares.

A característica do das Man é a conversa inócua e curiosidade. O que fala e o ouvinte não estão em nenhuma relação pessoal genuína ou em qualquer relação intima com aquilo sobre o que falam o que, portanto, conduz a superficialidade.

A curiosidade é uma forma de distração, uma necessidade para o "novo," uma necessidade para algo "diferente," sem interesse ou capacidade de maravilhar.

A angústia

Mas uma coisa pode acontecer que desperta o homem dessa alienação, a angústia. Ela resulta da falta de base da existência humana. A "existência" é uma suspensão temporária entre o nascimento e a morte.

O projeto de vida do homem tem origem no seu passado (em suas experiências) e continuam para o futuro, o qual o homem não pode controlar e onde esse projeto será sempre incompleto, limitado pela morte que não pode evitar.

A angústia funciona para revelar o ser autêntico, e a liberdade como uma potencialidade. Ela enseja o homem a escolher a si mesmo e governar a si mesmo.

Na angústia, a relevância do tempo, da finitude da existência humana, é experimentada então como uma liberdade para encontrar-se com sua própria morte, um "estar preparado para" e um contínuo "estar relacionado com" sua própria morte.

Na angústia, todas as coisas, todas as entidades em que o homem estava mergulhado se afastam, afundando em um "nada e em nenhum lugar," e o homem então em meio às coisas paira isolado, e em nenhuma parte se acha em casa. Enfrenta o vazio, a "nenhum-coisa-idade" ; e toda a "rotinidade" desaparece -- e isto é bom, uma vez que então encontra a potencialidade de ser de modo autêntico.

Assim, a angustia "sóbria" e a confrontação implicada com morte são para Heidegger primeiramente ferramentas, têm importância metodológica: certos fundamentos são revelados.

A ansiedade abre o homem para o ser.

Entre as estruturas reveladas estão as potencialidades do homem para ser alegremente ativo (".. conhecer a alegria é uma porta para o eterno").

Isto não quer dizer que o Ser participa do lado negro do desespero, da angústia; o Ser é associado com a " luz " e com " a alegria ".

Pensar o ser é chegar ao verdadeiro lar.

Por isso, dos três existenciais, Heidegger privilegia o futuro, porque é esta projeção para o advir e o golpe da devolução no embate com a morte que lá está que o leva a pensar e à autoconscientização.

O homem pode então introduzir esse conhecimento existencial no projeto de sua vida, e assim se apropriar da existência fazendo-a efetivamente sua, tornando-se autêntico, não mais um ente sem raízes.

Essa visão existencial do homem, em que ele se conscientiza das estruturas existenciais a que está condicionado e que o tira da superficialidade em que desenvolve seus conflitos tornou-se sedutora para a psiquiatria, surgindo ai proeminentes terapeutas existencialistas como Binswanger, Ronald Laiding.