quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Os caminhos da Fenomenologia

Para facilitar a compreensão sobre fenomenologia, procuramos esclarecer com breves palavras o que significa o positivismo. Positivismo é um conceito de perspectivas filosóficas e científicas que se iniciou no século XIX.

O positivismo era a maneira de pensar que o pensamento positivo realizava os desejos, que ele tinha "poderes". Do seu início, com Augusto Comte (1798-1857) na primeira metade do século XIX até o seu apogeu e crise no século XX, o sentido da palavra mudou radicalmente, incorporando diferentes significados, muitos deles opostos ou contraditórios entre si.

Para Comte, o Positivismo é uma doutrina filosófica, sociológica e política. Surgiu como desenvolvimento sociológico do Iluminismo, das crises social e moral do fim da Idade Média e do nascimento da sociedade industrial - processos que tiveram como grande marco a Revolução Francesa (1789-1799).

De forma global, o positivismo propõe à existência humana valores completamente humanos, afastando radicalmente a teologia e a metafísica (embora incorporando-as em uma filosofia da história). Assim, o Positivismo associa uma interpretação das ciências e uma classificação do conhecimento a uma ética humana radical, desenvolvida na segunda fase da carreira de Comte.

Uma nova corrente filosófica denominada Fenomenologia, nascida na segunda metade do século XIX, opõe-se ao pensamento positivista do mesmo século.

1.1.2 Principais conceitos da fenomenologia

A Fenomenologia começa partir das análises de Franz Brentano sobre a intencionalidade da consciência humana. A fenomenologia trata de descrever, compreender e interpretar os fenômenos que se apresentam à percepção. Propõe a extinção da separação entre "sujeito" e "objeto" e examina a realidade a partir da perspectiva de primeira pessoa.

Edmund Husserl, Martin Heidegger, Jean-Paul Sartre e Maurice Merleau-Ponty foram alguns dos principais filósofos fenomenologistas do século XX.

Edmund Gustav Albrecht Husserl foi um filósofo alemão nascido numa família judaica, conhecido como fundador da fenomenologia. Ele foi aluno de Franz Brentano, e influenciou os alemães Edith Stein, Martin Heidegger, e os franceses Jean-Paul Sartre, Maurice Merleau-Ponty, entre outros.

Em 1887, Husserl converte-se ao cristianismo e junta-se à Igreja Luterana. Como aposentado, Husserl continua suas pesquisas e atividades nas instituições de Friburgo, e foi demitido por Heidegger seu ex-aluno e membro do partido Nazista, por causa de sua ascendência judia.

O método fenomenológico se define como uma volta às coisas mesmas, isto é, aos fenômenos, aquilo que aparece à consciência, que se dá como objeto intencional.

Seu objetivo é chegar à intuição das essências, isto é, ao conteúdo inteligível e ideal dos fenômenos, captado de forma imediata.

Toda consciência é consciência de alguma coisa. Assim sendo, a consciência não é uma substância, mas uma atividade constituída por atos (percepção, imaginação, especulação, volição, paixão, etc), com os quais visa algo.

Uma definição simples dirá que a principal característica da consciência é de ser sempre intencional. A análise intencional e descritiva da consciência definirá as relações essenciais entre atos mentais e mundo externo.

As essências ou significações (noéma) são objetos visados de certa maneira pelos atos intencionais da consciência (noésis). A fim de que a investigação se ocupe apenas das operações realizadas pela consciência, é necessário que se faça uma redução fenomenológica ou Epoché, isto é, coloque-se entre parênteses toda a existência efetiva do mundo exterior.

Na prática da fenomenologia efetua-se o processo de redução fenomenológica o qual permite atingir a essência do fenómeno. A redução fenomenológica nada mais é do que colocar toda a existência do mundo dado pela atitude natural “entre parênteses”, porque dele não podemos extrair nenhuma verdade de fato que seja incontestável.

1.1.3 Compreensão de temporalidade husserliana

“A fenomenologia tende à verdade, mas a uma verdade em constante movimento; ela antecipa o fato de que toda verdade alcançada é relativa em um horizonte possível e sistemático, e que em todas as direções pré-desenhadas de cumprimento, o que já está atualmente realizado e mais completo é a verdade verdadeira, na qual, no entanto, está incluída, como aproximação, como grau imperfeito, aquela anterior”.

Husserl

A indagação fenomenológica sobre a estrutura e a consciência do tempo deve ser desenvolvida como se tratasse de determinações lógicas. Há, portanto, uma clara oposição entre a postura cognoscitiva fenomenológica e a lógica empírico-experimental.

Esta não só se encontra na dificuldade de ter de explicar a origem das estruturas da experiência e do conhecimento, mas também a ordem dos fatos que acontecem no tempo. Husserl entende que uma evidência só existe em sua efetiva vivência, que se renova a todo instante.

Uma verdade, de fato, só pode ser apreendida em seu devir, devir que não pode ser um conjunto computável de atos psíquicos, mas temporalidade vivenciada.

Nesse sentido, o processo temporal não representa uma parte real do fluxo das experiências, mas uma imanência ideal mediante a qual sempre podemos retornar às evidências adquiridas, antecipando outras, novas, e abrindo um horizonte de potencialidades infinitas.

Percebendo até o fim as dificuldades da psicologia empírica dos meados do século XIX , Husserl tenta reverter a situação, respondendo à questão da origem por meio de um caminho lógico, ao abrigo do caráter circunstancial do tempo.

Ele questiona o conceito de tempo no próprio ponto de sua origem e constituição, surpreendendo-o ao nascer e suspendendo (epokhé) todas as determinações naturais e empíricas.

Na medida em que é manancial primário, o tempo sempre é irrupção de alguma coisa, e não já uma composição.

Husserl afirma que a consciência se estrutura segundo modalidades temporais, e que seu caráter duplo e incindível unifica os modos de uma consciência se relacionar com outra. Essa atividade de síntese se realiza no fluxo da consciência, na qual se desenvolve numa temporalidade própria, articulando-se segundo estruturas comuns a cada momento de consciência A posição husserliana parece se sustentar na tese de que a consciência é uma unidade em si que é estruturalmente fluxo, não uma unidade ligada a outras unidades. Essa unidade é constitutiva da pluralidade da consciência.

Ela revela a natureza da seqüência (e dos nexos) entre os instantes reais que faz com que digamos que um determinado evento tem uma duração. Como se sabe, esse problema levou Husserl a introduzir a noção de retenção: um ponto originário que liga os momentos do fluxo como a duração, o fluir, e assim por diante. Não há nenhuma intenção que não esteja vinculada a uma “segunda intenção” (retenção) que a integra e a torna possível.

Isso induz a afirmar que a consciência não é somente consciência, mas fluxo de consciência: não já no sentido de uma consciência interna ao fluxo, mas no sentido de que ela, em sua singularidade, conserva o conteúdo percebido, mesmo quando já não o é.

Cada experiência nossa, cada percepção nossa, mesmo a mais simples sensação, é a ressonância da sensação de viver em uma continuidade, não o trânsito de um momento para o outro.

Essa seqüência de momentos isolados, desprovida de descontinuidade e que restabelece a impressão de um fluxo, se origina na consciência.

A experiência do tempo é determinada por uma instantaneidade não apenas intencional, mas também, indissoluvelmente, retencional e tem lugar na consciência.

A consciência do tempo é, portanto, consciência de um tempo e de um ritmo extremamente mutáveis. Isso implica que tempos cronologicamente iguais podem ser consideravelmente desiguais no plano da vivência.

Só recentemente os estudiosos de ciências cognitivas começaram a observar que as emoções estão na base dos processos e das dinâmicas da mente humana. A consciência começa como um sentimento, um tipo peculiar de sentimento, e que consciência e emoções estão estritamente vinculadas, na medida em que a consciência está indissoluvelmente ligada ao sentimento do corpo.

A relação da consciência com sua temporalidade é extremamente complexa. Ela não admite aceitar a fórmula antropológica segundo a qual “o homem é o seu corpo”. A consciência é mais do que seu corpo que, ao viver continuamente, transcende.

Esse transcender não implica algum dualismo de mente e corpo, mas uma intensa experiência unitária. Em toda decisão, atividade ou determinação da experiência, essa unidade nunca é questionada

Essa consciência encarnada tem como uma co-relação com a própria temporalidade.

1.1.4 A filosofia cartesiana

Para analisar a intencionalidade da consciência husserliana, é importante entender o caminho percorrido por Descartes, porque a sua filosofia, segundo Husserl, confere a certas verdades apodíticas, verdades verdadeiras, evidentes, incontestavelmente demonstradas, de onde toda filosofia deve partir.

Descartes formulou o método filosófico para chegar à ciência verdadeira, radical e sem preconceitos. Este método consiste, inicialmente, em duvidar, em suspender toda crença, todo o conhecimento que até então acreditávamos ser verdadeiro e tudo aquilo que nos era dado pelos sentidos. Estes nos enganam e uma vez que nos tenham enganado é razoável que não acreditemos neles. Mas ao colocar em dúvida o que me foi dado, não posso duvidar de que enquanto penso sou alguma coisa.

Essa é a primeira verdade cartesiana e Husserl vai denominá-la de intuição originária, da qual devemos partir se queremos chegar ao conhecimento indubitável, que não se pode duvidar, conhecimento certo.

Porém, segundo Husserl, por que Descartes, mesmo tendo chegado à intuição originária, não fez fenomenologia?

Ora, o erro de Descartes, afirma Husserl, foi ter concebido o “ego como uma substantia cogitans separada, uma mens sive animus humana, ponto de partida de raciocínios de causalidades.” Pois ao conceber o ego como uma substância que é o ponto de partida para todo conhecimento, Descartes desconsiderou toda a relação do eu com os objetos, que é, na verdade, a fonte de todo conhecimento e raciocínio. Assim, para garantir a verdade, Descartes recorreu à idéia de Deus e das matemáticas, admitindo-as como verdadeiras, e, por conseguinte, recaindo, novamente, na atitude natural.

1.1.5 A intencionalidade da consciência: resultado da suspensão do mundo

Para elaborar uma filosofia radical e sem pré-conceitos é necessário, segundo Husserl, fazer uma redução fenomenológica. Esta redução consiste em colocar toda a existência do mundo dado pela atitude natural “entre parênteses”, porque dele não podemos extrair nenhuma verdade apodítica.

Na atitude natural, estamos voltados para o mundo, no qual nos encontramos e admitimos que todas as coisas presentes no mundo possuem uma existência em si, ou seja, existem independente do sujeito que as percebam, embora possamos representá-las na consciência.

Ora, todas as coisas que estão presentes no mundo nos aparecem sob várias perspectivas, em um agora continuamente novo, de longe, de perto, sob um determinado ponto, sob outro, etc.

Como as coisas podem nos aparecer de vários modos no mundo dado como existente, logo, não podemos delas extrair nenhuma verdade.

1.1.6 O eu transcendente e fenomenológico

Se quisermos fundar uma filosofia verdadeira, devemos nos desconectar do mundo dado como existente, porque nas vivências que temos desse mundo não podemos encontrar nenhuma verdade apodítica.

Porém, ao colocar este mundo transcendente em suspensão, aparece diante de nós o mundo da consciência. Neste mundo da consciência, parece que possuímos então algo de absoluto. No entanto, para encontramos o que aí existe de absoluto, devemos realizar uma epoché fenomenológica transcendental.

Husserl elaborou alguns conceitos-chave que o levaram a afirmar que para estudar a estrutura da consciência seria necessário distinguir entre o ato de consciência e o fenômeno ao qual ele é dirigido (o objeto-em-si, transcendente à consciência).

O conhecimento das essências seria possível apenas se “colocamos entre parênteses” todos os pressupostos relativos à existência de um mundo externo. Este procedimento ele denominou epoché.

Pois o eu com as suas vivências, aparece, inicialmente, para mim como algo presente no mundo e, como filósofo que procura a verdade apodítica, devemos colocar o eu psicológico também entre parênteses, restando somente o eu transcendental.

Acerca disso, Husserl afirma:

pela epoché fenomenológica, reduzo o meu eu humano natural e a minha vida psicológica – domínio da minha experiência psicológica interna – ao meu eu transcendental e fenomenológico, domínio da experiência interna transcendental e fenomenológica”. HUSSERL

Assim, após ter colocado o mundo e o eu psicológico entre parênteses e ter atingido o eu transcendental fenomenológico, é possível construir uma ciência puramente descritiva da consciência pura transcendental.

Ora, a primeira evidência apodítica que temos na consciência, após a suspensão do mundo husserliano e do cartesiano, é o eu penso. Mas, ao contrário de Descartes, que afirmava ser o eu penso a fonte de todo conhecimento, Husserl contesta-o, afirmando que quando eu penso, penso sobre alguma coisa.

Não há um pensamento desprovido de uma relação com os objetos. Na verdade, são estes objetos que ao relacionarem-se comigo, constituem o meu eu. Neste sentido, o resultado da epoché fenomenológica não é somente o eu penso, mas também o seu objeto de pensamento, ou seja, não só o ego cogito, mas o cogito cogitatum.

Por essa razão, Husserl propõe-se voltar às coisas mesmas; retornar às intuições mais originárias, porque é delas que emerge todo o conhecimento.

Voltar às coisas mesmas significa o retorno daquilo que nos aparece como algo experimentado, vivido, conhecido, mas que não é dado como algo existente no mundo. E todas as coisas que aparecem à consciência de modo puro após a epoché fenomenológica são os fenômenos.

Foi essa peculiaridade dos fenômenos aparecerem sempre a uma consciência que permitiu a Husserl romper com a dicotomia da atitude natural que afirmava a existência de um mundo exterior e de um mundo interior. Pois tudo o que existe está na relação entre os objetos e a minha consciência. O mundo também é um fenômeno que tem a pretensão à existência, porque ele, enquanto meu, não é um puro nada.

Ao contrário, o mundo é a fonte de toda a minha experiência, de toda a minha consciência. A consciência, segundo Stegmüller, em Husserl, possui três definições, a saber:

· A consciência como o entrelaçamento das vivências psíquicas empiricamente verificáveis numa unidade defluxo de vivência;

· A consciência como a percepção interna dessas próprias vivências

· A consciência como designação que resume todas as vivências intencionais.

Essas três modalidades de consciência estão ligadas uma a outra, contudo, Husserl prefere a terceira definição, porque é somente nas vivências intencionais presentes na consciência que um objeto é significado, visado.

Mas de que modo podemos ter consciência dos objetos?

Para responder a essa pergunta, Husserl propõe que retornemos ao mundo interior ou transcendental, onde encontramos os objetos da consciência sob a forma ideal.

Porque, o objetivo da fenomenologia é investigar como o fenômeno apresenta-se à consciência. E a consciência é sempre consciência de alguma coisa, ou seja, é aquilo que dá sentido às coisas. Pois as coisas em si não têm sentido, nós é que as interpretamos, ou seja, é somente na consciência que as coisas têm sentido. Desse modo, a consciência está sempre direcionada para um objeto e o “objeto só pode ser definido em relação a uma consciência, ele é sempre objeto-para-um-sujeito.

Assim, podemos dizer que existe um objeto intencional na consciência. Isso significa que o objeto só tem sentido para uma consciência e que a sua essência é sempre o termo de uma visada e sem esta visada não haveria nenhum objeto. Desse modo, Husserl define intencionalidade como:

a particularidade intrínseca e geral que a consciência tem de ser consciência de qualquer coisa, de trazer, na sua qualidade de cogito, o seu cogitatum em si próprio.”

Assim entendemos que a intencionalidade representa esse direcionamento em relação ao objeto. A consciência é sempre consciência de alguma coisa e o objeto é sempre para uma consciência.

Sem essa relação consciência-objeto não haveria nem consciência nem objeto.

Além disso, todo estado de consciência visa alguma coisa. E, por conseguinte, a consciência traz em si mesmo o seu objeto receptivo. De modo que todo querer, todo amar, todo perceber corresponde a algo querido, a algo amado, a algo percebido. Dessa forma, afirmamos a existência de uma intencionalidade.

Isto significa que o objeto só tem sentido para a consciência, de modo que a essência do seu objeto refere-se ao termo que visa um objeto. Sem esta visada não haveria possibilidade de falar sobre o objeto.

Para tornar a análise intencional mais clara, tomemos como exemplo, qualquer objeto concreto. Na atitude natural, afirmamos, primeiramente, que ele existe neste ou naquele lugar. Posteriormente, afirmamos que ele está representado na consciência daquele que a percebeu. Haveria, assim, portanto, dois objetos: um no mundo e outro representado na consciência. Ora, Husserl rejeita esses dois modos de conhecer o objeto. Pois se nos dirigirmos ao objeto em si, ou seja, àquele que está presente neste ou naquele lugar, não conheceremos nada dele; do mesmo modo, nada conheceremos se nos direcionarmos para o objeto representado na consciência. Por essa razão, Husserl propõe o retorno “às coisas mesmas”, ou seja, à vivência original do objeto. É dessa vivência original que podemos conceber um objeto no mundo.

"Para o triunfo do mal
só é preciso que
os bons homens não façam nada".
Edmund Burke


a pergunta é:
existem bons homens?
existem bons homens que não façam nada?
se fossem bons, fariam alguma coisa?

A origem da consciência do tempo

A origem da consciência do tempo está relacionada aos estados vividos dos fenômenos. A forma temporal marcada por esses estados vividos é a intencionalidade, a qual nos permite compreender tanto a constituição dos objetos temporais quanto o próprio tempo da consciência.

A intencionalidade temporal se caracteriza pela unidade e identidade sintética dos objetos, pois a consciência do tempo é a essência da experiência intencional.

Husserl inicia, nas Lições, a sua investigação sobre o tempo na consciência a partir de uma análise dos objetos temporais, porque a temporalidade subjetiva se constitui sempre fenomenologicamente.

E os objetos temporais, afirma Husserl, são aqueles “que não são apenas unidades no tempo, mas que contêm também em si mesmo extensão temporal.” Com a expressão “extensão temporal”, queremos dizer que há uma duração no modo como percebemos o objeto. A duração é, portanto, o ponto mais importante dos objetos temporais.

Para demonstrarmos isso, tomemos a percepção do som de uma melodia como exemplo. Cito:[...] a coisa parece em princípio muito simples: nós ouvimos a melodia, quer dizer, percepciona-mo-la, porque ouvir é percepcionar. Soa, entretanto, o primeiro som, vem depois o segundo, depois o terceiro, etc. (Husserl, 1994, p. 56).

Ao ouvir o som de uma melodia, percebemos o som numa seqüência, o primeiro, o segundo, etc. Ora, se percebemos os sons numa seqüência, isto significa que quando ocorre o segundo som, o primeiro já não se revela. Mas, ao ouvir a melodia, não ouvimos os sons separadamente, ao contrário, eles aparecem à consciência numa unidade e identidade.

Se analisarmos com mais precisão os sons presentes na melodia, vemos que o próprio som tem uma duração que chega à consciência num fluxo contínuo, mas numa multiplicidade de modos de consciência. Assim, afirma Husserl:

“Cada som tem ele próprio uma extensão temporal; com o toque, ouço-o como um agora, mas com o ressoar, ele tem um agora sempre novo e o precedente converte- se em passado. Por conseguinte, ouço de cada vez apenas a fase atual do som e a objetividade do som total duradouro constitui-se num ato contínuo que é, numa parte, recordação, noutra parte pequeníssima, pontual, percepção e, numa outra parte ainda expectativa.”

Husserl

Desse modo, quando apreendemos o som, ele se dá numa unidade sintética, mas que é formado por uma multiplicidade de dados.

Quando o som se inicia, ele é dado temporalmente num agora, mas este agora que foi percebido passa e um novo conteúdo do som apresenta-se como um agora. A sua duração corresponde à simultaneidade de fases “todas as suas fases singulares que escorrem uniformemente para o passado, como também escorre para o passado toda a duração do som, eu tenho a consciência do mesmo som, ou do som idêntico, e como durando um agora”.

A extensão total do som corresponde a esta fase que sempre aparece como agora e se produz de modo vivo; quando todas as fases se escoam para o passado, o som é morto.

Assim, do ponto de vista objetivo, temos na consciência dos objetos e processos que duram e que tem diferentes caracteres temporais (presente, passado...) e nós os percebemos como idênticos em todo o fluxo que escorre para o passado.

Em relação ao ponto de vista subjetivo, o fenômeno ocorre numa sucessão temporal que também escorre para o passado, no entanto, não temos a consciência dos diferentes estados temporais.

Após entendermos o modo como o tempo objetivo é formado, passamos a analisar a temporalidade imanente da consciência. O tempo objetivo se constitui na imanência da consciência fenomenológica, a partir da duração imanente. Todos os objetos exteriores possuem uma duração e nós só conseguimos captar essa duração porque a própria forma que o captamos são processos temporais, fluxos contínuos e têm, portanto, uma duração imanente.

No que diz respeito à duração imanente, Husserl vai afirmar, nas Meditações Cartesianas que ela, em correlação com a consciência imanente do tempo, é a forma fundamental de toda e qualquer síntese. Cito: A forma fundamental desta síntese universal, que torna possível todas as outras formas de síntese da consciência, é a consciência imanente do tempo. Correlativamente corresponde-lhe a própria duração imanente, em virtude da qual todos os estados do eu, acessíveis à reflexão, se devem apresentar como ordenados no tempo – simultâneo ou sucessivo, - no seio do horizonte infinito e permanente no próprio tempo imanente.

Neste sentido, a duração imanente é a duração dos atos intencionais. E a temporalidade imanente dos atos intencionais é diferente da temporalidade dos objetos exteriores, mas ambos fazem parte do próprio fluxo do tempo imanente à consciência.

Assim, ao estudar a intencionalidade da consciência, verificamos que ela ocorre na relação entre o sujeito que pensa e o seu objeto de pensamento, pois a consciência está sempre direcionada para um objeto. Este direcionamento da consciência é o que Husserl denominou de intencionalidade. Além disso, o objeto é sempre para uma consciência. Sem esta relação, não haveria nem sujeito que pensa, portanto, consciência, e nem objeto.

Para demonstrarmos a relação entre o sujeito que pensa, e seu objeto de pensamento, buscamos, primeiramente, entender como o eu cartesiano contribuiu para que Husserl pensasse a consciência fenomenológica. Pois, segundo Husserl, Descartes chegou à intuição originária ao demonstrar que o eu penso é a primeira verdade apodítica.

Mas o seu erro foi ter concebido o eu penso como uma substância que é o ponto de partida para todo conhecimento e, por conseguinte, desprovido de uma relação com seu pensamento. E para assegurar essa primeira verdade, Descartes recorreu à idéia de Deus e das matemáticas, retornando à atitude natural.

Mas para elaborar uma filosofia radical, Husserl fez uma redução fenomenológica, isto é, colocou entre parênteses tanto as coisas dadas no mundo como existentes, como também o eu psicológico. E a primeira evidência apodítica que temos na consciência após a redução é o eu penso e os objetos dos seus objetos de pensamento. Por essa razão, Husserl propõe que voltemos às coisas mesmas, porque delas emerge todo o conhecimento. Voltar às coisas mesmas significa retornar ao modo como os fenômenos aparecem à consciência. A consciência está sempre direcionada para um objeto e o objeto só pode ser definido em relação a uma consciência.

É esta relação da consciência como os objetos fenomenológicos que Husserl analisa e descreve. E os objetos aparecem na consciência sob a forma de essência. Isto significa que na consciência cada objeto é significado, tem uma essência, sem a qual este objeto deixaria de ser ele mesmo.

Além disso, percebemos que a consciência também possui um caráter bi-lateral, isso significa que os objetos aparecem à consciência como unidades dotadas de sentido e como idênticos a si mesmos. No entanto, em cada vivência que temos deles, temos uma multiplicidade de aspectos.

Isto ocorre porque, em cada apresentação que temos do objeto, ele se dá num agora que se escorre para o passado, dando lugar a uma nova apresentação que também se apresenta num agora e, assim, ocorre sucessivamente. Em cada apresentação do objeto ele se mostra num dos seus múltiplos aspectos; no entanto, a consciência os sintetiza formando uma unidade e uma identidade.

Esta capacidade da consciência de sintetizar os vários aspectos do objeto numa unidade e identidade é o que permite pensarmos a sua temporalidade. O tempo pode ser pensado como objetivo e como imanente à consciência.

No que se refere ao tempo objetivo, ele se forma a partir da duração de cada aspecto do objeto. Já o tempo imanente, refere-se à duração dos atos intencionais.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

ILUMINISMO

Iluminismo

Iluminismo, Esclarecimento ou Ilustração (em alemão Aufklärung, em inglês Enlightenment, em italiano Illuminismo, em francês Siècle des Lumières, em espanhol Ilustración) designam uma época da história intelectual ocidental.

Definição
Ainda que importantes autores contemporâneos venham ressaltando as origens do Iluminismo no século XVII tardio, não há consenso abrangente quanto à datação do início da era do Iluminismo. Boa parte dos acadêmicos simplesmente utiliza o início do século XVIII como marco de referência, aproveitando a já consolidada denominação Século das Luzes . O término do período é, por sua vez, habitualmente assinalado em coincidência com o início das Guerras Napoleônicas (1804-1815).
Iluminismo é um conceito que sintetiza diversas tradições filosóficas, correntes intelectuais e atitudes religiosas. Pode-se falar mesmo em diversos micro-iluminismos, diferenciando especificidades temporais, regionais e de matiz religioso, como nos casos de Iluminismo tardio, Iluminismo escocês e Iluminismo católico.
Immanuel Kant
O uso do termo Iluminismo na forma singular justifica-se, contudo, dadas certas tendências gerais comuns a todos os iluminismos, nomeadamente, a ênfase nas idéias de progresso e perfectibilidade humana, assim como a defesa do conhecimento racional como meio para a superação de preconceitos e ideologias tradicionais.
O Iluminismo é, para sintetizar, uma atitude geral de pensamento e de ação. Os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição de tornar este mundo um mundo melhor - mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social.
Immanuel Kant, um dos mais conhecidos expoentes do pensamento iluminista, num texto escrito precisamente como resposta à questão O que é o Iluminismo? Descreveu de maneira lapidar a mencionada atitude:
"O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! - esse é o lema do Iluminismo".

As fases do Iluminismo
Os pensadores iluministas tinham como ideal a extensão dos princípios do conhecimento crítico a todos os campos do mundo humano. Supunham poder contribuir para o progresso da humanidade e para a superação dos resíduos de tirania e superstição que creditavam ao legado da Idade Média. A maior parte dos iluministas associava ainda o ideal de conhecimento crítico à tarefa do melhoramento do estado e da sociedade.
Entre o final do século XVII e a primeira metade do século XVIII, a principal influência sobre a filosofia do iluminismo proveio das concepções mecanicistas da natureza que haviam surgido na sequência da chamada revolução científica do século XVII. Neste contexto, o mais influente dos cientistas e filósofos da natureza foi então o físico inglês Isaac Newton. Em geral, pode-se afirmar que a primeira fase do Iluminismo foi marcada por tentativas de importação do modelo de estudo dos fenômenos físicos para a compreensão dos fenômenos humanos e culturais.
No entanto, a partir da segunda metade do século XVIII, muitos pensadores iluministas passaram a afastar-se das premissas mecanicistas legadas pelas teorias físicas do século XVII, aproximando-se então das teorias vitalistas que eram desenvolvidas pelas nascentes ciências da vida. Boa parte das teorias sociais e das filosofias da história desenvolvidas na segunda metade do século XVIII, por autores como Denis Diderot e Johann Gottfried von Herder, entre muitos outros, foram fortemente inspiradas pela obra de naturalistas tais como Buffon e Johann Friedrich Blumenbach.

Os Iluminismos Regionais

Alemanha
No espaço cultural alemão, um dos traços distintivos do Iluminismo (Aufklärung) é a saída do homem de sua minoridade, é a inexistência do sentimento anticlerical que, por exemplo, deu a tônica ao Iluminismo francês. Os iluministas alemães possuíam, quase todos, profundo interesse e sensibilidade religiosa, e almejavam uma reformulação das formas de religiosidade. O nome mais conhecido da Aufklärung foi Immanuel Kant. Outros importantes expoentes do iluminismo alemão foram: Johann Gottfried von Herder, Gotthold Ephraim Lessing, Moses Mendelssohn, entre outros.

Escócia
A Escócia, curiosamente um dos países mais pobres e remotos da Europa ocidental no século XVIII, foi um dos mais importantes espaços de produção de idéias associadas ao Iluminismo. Empirismo e pragmatismo foram as tendências mais marcantes do Iluminismo Escocês. Dentre os seus mais importantes expoentes destacam-se, entre outros: Adam Ferguson, David Hume, Francis Hutcheson, Thomas Reid, Adam Smith.

Estados Unidos
Nas colônias britânicas que formariam os futuros Estados Unidos da América, os ideais iluministas chegaram por importação da metrópole, mas tenderam a ser redesenhados com contornos religiosa e politicamente mais radicais. Idéias iluministas exerceram uma enorme influência sobre o pensamento e prática política dos chamados founding fathers (pais fundadores) dos Estados Unidos, entre eles: John Adams, Samuel Adams, Benjamin Franklin, Thomas Jefferson, Alexander Hamilton e James Madison.

França
Na França, país de tradição católica, mas onde as correntes protestantes, nomeadamente os huguenotes, também desempenharam um papel dinamizador, havia uma tensão crescente entre as estruturas políticas conservadoras e os pensadores iluministas.
Rousseau, por exemplo, originário de uma família huguenote e colaborador da Encyclopédie, foi perseguido e obrigado a exilar-se na Inglaterra. O conflito entre uma sociedade feudal e católica e as novas forças de pendor protestante e mercantil, irá culminar na Revolução Francesa. Madame de Staël, com o seu salão literário, onde avultam grandes nomes da vida cultural e política francesa, será aí uma grande referência.

Inglaterra
Na Inglaterra, a influência católica havia sido definitivamente afastada do poder político em 1688, com a Revolução Gloriosa. A partir de então, nenhum católico voltaria a subir ao trono - embora a Igreja da Inglaterra tenha permanecido bastante próxima do Catolicismo em termos doutrinários e de organização interna.
Sem o controle que a Igreja exercia em outras sociedades, a exemplo da espanhola ou a portuguesa, é no Reino Unido que figuras como John Locke e Edward Gibbon dispõem da liberdade de expressão necessária ao desenvolvimento de suas idéias.

Espaço luso-brasileiro
Em Portugal, uma figura marcante desta época foi o Marquês de Pombal. Tendo sido embaixador em Londres durante 7 anos (1738-1745), o primeiro-ministro de Portugal ali teria recolhido as referências que marcaram a sua orientação como primeiro responsável político em Portugal.
O Marquês de Pombal foi um marco na história portuguesa, contrariando o legado histórico feudal e tentando por todos os meios aproximar Portugal do modelo da sociedade inglesa. Entretanto, Portugal mostrara-se por vezes hostil à influência daqueles que em Portugal eram chamados pejorativamente de estrangeirados - fato pretensamente relacionado à influência Católica.
Também ao longo do século XVIII, o ambiente cultural português permanecera pouco dinâmico, fato nada surpreendente num país onde mais de 80% da população era analfabeta.
Nas colônias americanas do Império Português, foi notável a influência de ideais iluministas sobre os escritos econômicos tanto de José de Azeredo Coutinho quanto de José da Silva Lisboa. Também se podem considerar como "iluministas" diversos dos intelectuais que participaram de revoltas anticoloniais no final do século XVIII, tais como Cláudio Manoel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga.

Impacto
Declaracão dos Direitos Humanos, França, 1789, um dos muitos documentos políticos produzidos no século XVIII sob a inspiração do ideário iluminista
O Iluminismo exerceu vasta influência sobre a vida política e intelectual da maior parte dos países ocidentais. A época do Iluminismo foi marcada por transformações políticas tais como a criação e consolidação de estados-nação, a expansão de direitos civis, e a redução da influência de instituições hierárquicas como a nobreza e a igreja.
O Iluminismo forneceu boa parte do fermento intelectual de eventos políticos que se revelariam de extrema importância para a constituição do mundo moderno, tais como a Revolução Francesa, a Constituição polaca de 1791, a Revolução Dezembrista na Rússia em 1825, o movimento de independência na Grécia e nos Balcãs, bem como, naturalmente, os diversos movimentos de emancipação nacional ocorridos no continente americano a partir de 1776.
Muitos autores associam ao ideário iluminista o surgimento das principais correntes de pensamento que caracterizariam o século XIX, a saber, liberalismo, socialismo, e social-democracia.

FILOSOFIA MODERNA

Filosofia moderna

Compreende-se por Filosofia moderna, toda a filosofia que se desenvolveu durante os séculos XV, XVI, XVII, XVIII, XIX; começando pelo Renascimento, passando pelo iluminismo ate o romantismo.
A filosofa desenvolvida dentro desse período está fragmentada em vários subtópicos, e escolas de diferentes períodos, tais como:
Filosofia da Renascença
Filosofia do século XVII - idade da razão
Filosofia do século XVIII - movimento iluminista- século das luzes
Filosofia do século XIX – romantismo – final do século XVIII
Na modernidade passou-se a delinear melhor os limites do estudo filosófico. Inicialmente, como atestam os subtítulos de obras tais como as Meditações de René Descartes e o Tratado de George Berkeley, ainda se fazia referência a questões tais como a da prova da existência de Deus e da existência e imortalidade da alma.
Do mesmo modo, os filósofos do início da modernidade ainda pareciam conceber suas teorias filosóficas ou como fornecendo algum tipo de fundamento para uma determinada concepção científica (caso de Descartes), ou bem como um trabalho de "faxina” necessário para preparar o terreno para a ciência tomar seu rumo (caso de John Locke), ou ainda como competindo com determinada conclusão ou método científico (caso de Berkeley, em The Analyst, no qual ele criticou o cálculo newtoniano-leibniziano – mais especificamente, à noção de infinitesimal – e de David Hume com o tratamento matemático do espaço e do tempo).
Gradualmente, contudo, a filosofia moderna foi deixando de se voltar ao objetivo de aumentar o conhecimento material de buscar a descoberta de novas verdades – isso é assunto para a ciência – bem como de justificar as crenças religiosas racionalmente. Em obras posteriores, especialmente a de Immanuel Kant, a filosofia claramente passa a ser encarada antes como uma atividade de clarificação das próprias condições do conhecimento humano: começava assim a chamada "virada epistemológica".

Filosofia da Renascença ou Renascimento
Filosofia da Renascença é o período da História da Filosofia que na Europa está entre a Idade média e o Iluminismo. Isso inclui o século XV; alguns estudiosos a estendem até os princípios do ano de 1350 até os últimos anos do século XVI, ou o começo do século XVII, sobrepondo as Reformas religiosas e os princípios da idade moderna.
Dentre os elementos distintivos da Filosofia da renascença está a renovação à civilização clássica e o seu aprendizado; um parcial retorno de Platão sobre Aristóteles, que havia predominado sobre a Filosofia Medieval; e dentre alguns filósofos, havia o entusiasmo pelo ocultismo e o Hermetcismo.
Com todos esses períodos, há um extenso período de datas, razões por categorização, e limites dos eventos relatados. Em particular, o renascimento, principalmente nos últimos períodos, o seu pensamento que começou na Itália com o Renascimento Italiano se espalhou por toda a europa. O renascimento Inglês inclui geralmente em seus pensadores Shakespeare, mesmo no tempo em que a Itália estava passando pelo maneirismo para o Barroco.
Como um movimento importante do Século XVI ele foi suscetível para várias divisões. Alguns historiadores observam que as Reformas e as contra-Reformas são marcos do final da renascença e os mais importantes para a Filosofia, enquanto outros a vêem como um único e extenso período.

Filosofia do século XVII

A Filosofia do século XVII é, no ocidente, considerada como a visão do princípio da filosofia moderna, e o distanciamento do pensamento medieval, especialmente da Escolástica. Frequentemente é chamada de "idade da razão" e é considerada a sucessora da renascença e predecessora da Idade do iluminismo. Alternativamente, ela pode ser vista como uma visão prévia do Iluminismo.

Filosofia do século XVIII
O Iluminismo ou filosofia do século XVIII foi um movimento filosófico do século XVIII na Europa e em alguns países americanos, e nos seus mais distantes períodos também inclui a Idade da razão.
O termo pode se referir simplesmente ao movimento intelectual do Iluminismo que defendia a razão como base primária da autoridade. Desenvolvida na França, Grã-Bretanha e Alemanha, o seu círculo de influências também incluíram a Áustria, Itália, os Países Baixos, Polônia, Rússia, Escandinávia, Espanha e em fato, toda a Europa. Muitos dos Fundadores dos Estados Unidos foram fortemente influenciados pelas idéias iluministas, principalmente na esfera religiosa (Deísmo) e, paralelamente com o Liberalismo Clássico, na esfera política (que teve grande influência na Carta de direitos, em paralela com a Declaração de direitos do Homem e do Cidadão)
O período do iluminismo geralmente encerra-se entre os anos de 1800, e o começo das Guerras napoleônicas (1804-1815).

Filosofia do século XIX
No século XVIII, os filósofos do Iluminismo começaram a exercer um efeito dramático, tendo como ponto de referência o trabalho de filósofos como Immanuel Kant e Jean-Jacques Rousseau, e isso influenciou uma nova geração de pensadores. No final do século XVIII, um movimento conhecido como Romantismo surgiu para reunir o formalismo racional do passado , com uma grande, maior e imediata visão emocional do mundo.
Idéias chaves que mostraram essa mudança foram a evolução, como foi proposta por Johann Wolfgang von Goethe, Erasmus Darwin, e Charles Darwin, que podem agora ser chamada de ordem emergente como o mercado Livre de Adam Smith. Pressões do Igualitarismo, e as mais rápidas mudanças culminaram em um período de revolução e turbulência em que poderiam ser bem visíveis as mudanças da filosofia.
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