quinta-feira, 16 de julho de 2009

*****O MUNDO EVOLUIU DA ÁGUA*****

...........TALES DE MILETO.
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Os registros históricos apontam seu nascimento no ano 624/625 a.C. em Mileto, antiga colônia grega, na Ásia Menor, atual Turquia. Sua morte aconteceu em 556/558 a.C.
Tales de Mileto foi o primeiro filósofo ocidental de que se tem notícia. Ele é o marco inicial da filosofia ocidental. Considerado o pai da ciencia e da filosofia ocidental, o filosofo, matemático e astrônomo se destacou com o “teorema de Tales” partindo da idéia da água como “physis”
Tales é apontado como um dos sete sábios da Grécia Antiga. Além disso, foi o fundador da Escola Jônica. Tales considerava a água como sendo a origem de todas as coisas. E seus seguidores, embora discordassem quanto à “substância primordial” (que constituía a essência do universo), concordavam com ele no que dizia respeito à existência de um “princípio único" para essa natureza primordial.Entre os principais discípulos de Tales de Mileto merecem destaque: Anaxímenes que dizia ser o "ar" a substância primária; e Anaximandro, para quem os mundos eram infinitos em sua perpétua inter-relação.
No Naturalismo esboçou o que podemos citar como os primeiros passos do pensamento Teórico evolucionista: "O mundo evoluiu da água por processos naturais", aproximadamente 2460 anos antes de Charles Darwin. Sendo seguido por Empédocles de Agrigento na mesma linha de pensamento evolutivo: "Sobrevive aquele que está melhor capacitado".
Tales foi o primeiro a explicar o eclipse solar, ao verificar que a Lua é iluminada por esse astro. Segundo Heródoto, ele teria previsto um eclipse solar em 585 a.C. Segundo Aristóteles, tal feito marca o momento em que começa a filosofia. Os astrônomos modernos calculam que esse eclipse se apresentou em 28 de Maio do ano mencionado por Heródoto.
Se Tales aparece como o iniciador da filosofia, é porque seu esforço em buscar o princípio único da explicação do mundo não só constituiu o ideal da filosofia como também forneceu impulso para o próprio desenvolvimento dela.
A tendência do filósofo em buscar a verdade da vida na natureza o levou também a algumas experiências com magnetismo que naquele tempo só existiam como curiosa atração por objetos de ferro por um tipo de rocha meteórica achado na cidade de Magnésia, de onde o nome deriva.
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A Cosmologia
Os fenícios – através de sua mitologia – consideravam os elementos da Natureza (o Sol, a Terra, o Céu, o Oceano, as Montanhas,etc.) como forças autônomas, honrando-os como deuses, elevados pela fantasia a seres ativos, móveis, conscientes e dotados de sentimentos, vontades e desejos. Estes deuses constituíam-se na fonte e na essência de todas as coisas do universo .
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Tales foi um dos primeiros pensadores a alterar esses conceitos observando mais atentamente os fenômenos da natureza. A Phisis. O ponto de partida da teoria especulativa de Tales – como também de todos os demais filósofos da escola Jônica – foi a verificação da permanente transformação das coisas umas nas outras e sua intuição básica é de que todas as coisas são uma só coisa fundamental, ou um só princípio (arché).Dos escritos de Tales, nenhum deles sobreviveu até nossos dias. Suas idéias filosóficas são conhecidas graças aos trabalhos de doxógrafos como Diógenes Laércio, Simplício e principalmente Aristóteles .Em sua obra - Metafísica, Aristóteles nos conta: “Tales diz que o princípio de todas as coisas é a água, sendo talvez levado a formar essa opinião por ter observado que o alimento de todas as coisas é úmido e que o próprio calor é gerado e alimentado pela umidade. Ora, aquilo de que se originam todas as coisas é o princípio delas. Daí lhe veio essa opinião, e também a de que as sementes de todas as coisas são naturalmente úmidas e de ter origem na água a natureza das coisas úmidas”.
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Em seu livro – Da Alma, Aristóteles escreve: “E afirmam alguns que ela (a alma) está misturada com o todo. É por isso que, talvez, Tales pensou que todas as coisas estão cheias de deuses. Parece também que Tales, pelo que se conta, supôs que a alma é algo que se move, se é que disse que a pedra (ímã) tem alma, porque move o ferro”.
Esse esforço investigativo de Tales no sentido de descobrir uma unidade, que seria a causa de todas as coisas, representa uma mudança de comportamento na atitude do homem perante o cosmos, pois abandona as explicações religiosas até então vigentes e busca, através da razão e da observação, um novo sentido para o universo. Quando Tales disse que todas as coisas estão cheias de deuses, ou que o magnetismo se deve à existência de “almas” dentro de certos minerais, ele não estava invocando as palavras Deus e Alma, no sentido religioso como as conhecemos atualmente, mas sim adivinhando intuitivamente a presença de fenômenos naturais inerentes à própria matéria.
Embora suas conclusões cosmológicas estivessem erradas podemos dizer que a Filosofia começou então com Tales, que ao estabelecer a proposição de que a água é o absoluto, provoca como conseqüência o primeiro distanciamento entre o pensamento racional e as percepções sensíveis.
A vida dos antigos pensadores gregos é freqüentemente conhecida apenas de maneira incompleta. Realmente, os primeiros biógrafos não achavam correto divulgar fatos menos importantes concernentes à personalidade dos sábios. Eles julgavam as descobertas destes homens mais que suficientes para que fossem considerados como seres bastante superiores aos comuns mortais. E, como tais, deveriam ter uma imagem semelhante à dos deuses, sendo desprezados os fatos mais corriqueiros de sua vida. Na política constou que Tales de Mileto defendeu a federação das cidades Jônicas da região do Mar Egeu
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Contos
Plutarco disse que Tales certa vez olhando para o céu, tropeçou e caiu, sendo repreendido por alguém como lunático: analisava o tempo para descobrir se haveria uma seca, o que o fez ganhar muito dinheiro.Outros dizem que tendo caido, desapareceu num buraco.
Usando seu conhecimento astronômico e meteorológico (provavelmente herdado dos babilônios), Tales previu uma excelente colheita de azeitonas com um ano de antecedência. Sendo um homem prático, conseguiu dinheiro para alugar todas as prensas de azeite de oliva da região e, quando chegou o verão, os produtores de azeite tiveram que pagar a ele pelo uso das prensas, o que o levou a ganhar uma grande fortuna com esse negócio.
Quando perguntaram a Tales o que era difícil, ele respondeu: “Conhecer a si próprio”. Quando lhe perguntaram o que era fácil, ele respondeu: “Dar conselhos”.
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Interpretação Nietzscheana
"A Filosofia grega parece começar com uma idéia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário determo-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e, enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida (estado latente, prestes a se transformar), está contido o pensamento: “Tudo é Um”. A razão citada em primeiro lugar deixa Tales ainda em comunidade com os religiosos e supersticiosos, a segunda o tira dessa sociedade e o mostra como investigador da natureza, mas, em virtude da terceira, Tales se torna o primeiro filósofo grego". (Friedrich Nietzsche, in A Filosofia na Idade Trágica dos Gregos)
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Descobertas geométricas
Os fatos geométricos cuja descoberta é atribuída a Tales são:
A demonstração de que os ângulos da base dos triângulos isósceles são iguais;
A demonstração do seguinte teorema: se dois triângulos tem dois ângulos e um lado respectivamente iguais, então são iguais;
A demonstração de que todo diâmetro divide um círculo em duas partes iguais;
A demonstração de que ao unir-se qualquer ponto de uma circunferência aos extremos de um diâmetro AB obtém-se um triângulo retângulo em C. Provavelmente, para demonstrar este teorema, Tales usou também o fato de que a soma dos ângulos de um triângulo é igual a dois ângulos retos;
Tales chamou a atenção de seus conterrâneos para o fato de que se duas retas se cortam, então os ângulos opostos pelo vértice são iguais.
FONTE: WIKIPÉDIA-enciclopédia livre

*********SÓ SEI QUE NADA SEI*********

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SÓCRATES

Se Sócrates admite nada saber, e faz profissão de fé de sua ignorância, como pôde ser considerada a sua frase a mais perfeita descrição de filósofo?

Atenas, Antiga Grécia, 501 homens magistrados se reúnem para ouvir o que o sábio Sócrates teria a dizer a seu respeito para se defender das acusações feitas por Meleto, Anito e Licão. Contra o filósofo grego pesavam duas graves denúncias para a época: atentar desfavoravelmente contra a religião oficial e corrupção dos jovens. O discurso de defesa de Sócrates, foi apresentado por Platão, seu fiel discípulo, em uma pequena obra consagrada como um clamor a favor da dignidade e razão humanas.
Aos setenta anos de idade e pela primeira vez num tribunal, Sócrates expõe com serenidade e sabedoria a sua defesa, mostrando com clareza aos juizes a irrelevância das denúncias de seus acusadores, pois para aqueles que haviam professado os seus ensinamentos, não se julgou serem testemunhos de má-fé. Sua maneira de apresentar seus discursos consistia na interpelação e no provável reconhecimento do interlocutor dos seus próprios equívocos.
Sócrates associava sua pessoa com a figura de sua mãe que era uma obstetra. Ele era o “parteiro” que acompanhava os “grávidos” da verdade ou do conhecimento, até o nascimento do “filho”. A essa técnica damos o nome de Maiêutica. O método socrático. Sócrates buscava o nascimento do espírito, o uso livre da razão.
Auditório lotado, pessoas de seu conhecimento, inclusive muitos dos que fizeram escola com o filósofo, foram citados no discurso e usados como ilustração da verdade afim de confrontar o acusador que dizia ser ele quem corrompia os jovens e desestabilizava a ordem da polis. Sócrates desmascarava “os deuses” e professava ouvir a “voz de deus” que lhe falava no oráculo e isso incomodava alguns dos atenienses magistrados e políticos.
Como de costume e conforme sua pregação, Sócrates mantinha sua postura longe de qualquer soberba, porém, jamais se mostrou humilhado perante os poderes da cidade. Ao contrário, Sócrates usava o poder da sua dialética, da sua perspectiva destrutiva dos valores instituídos, desbancava argumentos equivocados dos políticos corrompidos. Ele fala da cidade de Atenas com propriedade e traz , em retrospectiva, como lembrança dos eventos que o levaram até o julgamento, porém se mostra totalmente desligado de cadeias que lhe pudessem inibir os movimentos, ou fazer dele um instrumento do poder, lembrando que nunca se envolveu com a política por ouvir a “voz de um deus ou de um gênio” que lhe barrava contra essa atividade.
Impressionante notar em Sócrates, mais do que em qualquer outro grande pensador, sua ligação com o humano no que tange a sua alma. A filosofia ganha com Sócrates um espaço amplo que não se limita num círculo fechado, mas sim na praça pública, no ginásio, no mercado, e na dimensão da alma humana. Por um questionamento preciso e incisivo, Sócrates leva as pessoas a tomarem decisões definidas e enfrentar as dificuldades, ou seja, força-os a cederem diante de uma evidência. Em face de sua própria morte ele defendia a tese de que era melhor morrer cumprindo a lei do que viver em descumprimento da lei.
Para ser diferente dos naturalistas que filosofavam nas nuvens e que jamais encontravam soluções práticas para a vida no dia a dia, para se diferenciar dos sofistas que se colocavam em pedestais para serem enaltecidos por serem intitulados sábios a ponto de cobrar pelo que ensinavam, para ser diferente dos políticos que usavam da persuasão da palavra com fins eleitoreiros para se manterem no jogo do poder, Sócrates usou a célebre frase: Só sei que nada sei....
Usando o processo de interrogação contínua, Sócrates leva o interlocutor gradativamente à meta, que é o conceito, elemento constitutivo da ciência. A descoberta socrática do conceito é o ponto culminante do seu método, levando o interlocutor a confessar a própria ignorância e rejeitar o dogmatismo inicial.
Só sei que nada sei, foi a expressão mais inteligente que um sábio expôs. Essa contradição mostra a ignorância do homem que não consegue resolver o problema da própria ignorância, porque se eu sei que nada sei então eu sei alguma coisa, mas isso não me torna um sábio. O sábio entende que nada sabe diante da suprema sabedoria divina e que toda sua suposta sabedoria se limita em nada saber.
Podemos sem sombra de duvidas atribuir a Sócrates a mais perfeita descrição de filósofo pelo conteúdo de sua ciência que esta focada na realidade moral do homem, que reflete os esforços, os impulsos, as paixões, que formam o ideal prático da vida humana. A moral é elevada a ciência e o saber se torna a força da vida prática. Sócrates da uma verdadeira aula de vida quando assume sua postura em não fugir das cadeias e nem mesmo da morte, porque sua liberdade estava acima das prisões e condenações humanas.

professor
JOÃO LEANDRE JORGE

OS MITOS E OS MITOS

Os mitos e os mitos

O mito da caverna nos leva a pensar na realidade do ser humano que aprisionado no mundo visível não consegue se elevar, ou elevar sua alma para o mundo real, no caso, o mundo das idéias.

Acontece que Hesíodo, viaja demais em suas idéias e cria um outro mundo mítico que a sua viagem se torna exclusivamente dele, e somente dele, de mais ninguém. Acreditar em Orion, filhas de Atlas, Arturus, Sírios e outros deuses, realmente é difícil acreditar que este seja um mundo real.

Certamente eu seria um dos que questionariam tal existência, pois se trata de idéias demais radicais. Nesse ponto talvez eu estivesse na caverna e não aceitaria os deuses gregos.

Penso que se as idéias orbitarem num mundo lógico, racional, sejam mais fáceis em acreditar na possibilidade de existências abstratas, mesmo que de imediato fiquem confusas na mente. Apesar da suposta confusão, quando existe uma didática inteligível por parte de quem tem a idéia, talvez consiga-se entender esta viagem “maluca” do filósofo.

Filosofar, acredito eu, apesar da filosofia não ter uma explicação e um fim em si mesma, é algo fantástico quando se consegue sair da caverna e colocar para os escravos da caverna algo que realmente é vivo lá fora e pode trazer vida e luz para o conhecimento racional, lógico e inteligível, mesmo quando a filosofia se torna ciência a ponto de descobrir a essência de algo, ela não se esgota ai, pois não existiria ciência antes da filosofia, porem a filosofia existe sem a ciência.

A filosofia nascente é assim conhecida a partir do surgimento da filosofia na Grécia. Há quem discuta essa possibilidade, pois antes mesmos dos gregos, o mundo oriental filosofou abundantemente. Alguns dizem que o eurocentrismo tenha sido a política adotada para atribuir aos gregos tal identidade.

Podemos apontar como sendo as principais condições históricas do surgimento da filosofia na Grécia:
As viagens marítimas – que permitiram aos gregos descobrir que os locais que os mitos diziam habitados por deuses, titãs e heróis eram, na verdade, habitados por outros seres humanos; e que as regiões dos mares que os mitos diziam habitadas por monstros e seres fabulosos não possuíam nem monstros nem seres fabulosos. As viagens produziram o desencantamento ou a desmistificação do mundo, que passou, assim, a exigir uma explicação sobre sua origem, explicação que o mito já não podia oferecer;
A invenção do calendário – que é uma forma de calcular o tempo segundo as estações do ano, as horas do dia, os fatos importantes que se repetem, revelando, com isso, uma capacidade de abstração nova, ou uma percepção do tempo como algo natural e não como um poder divino incompreensível;
A invenção da moeda – que permitiu uma forma de troca que não se realiza através das coisas concretas ou dos objetos concretos trocados por semelhança, mas uma troca abstrata, uma troca feita pelo cálculo do valor semelhante das coisas diferentes, revelando, portanto, uma nova capacidade de abstração e de generalização;
O surgimento da vida urbana – com predomínio do comércio e do artesanato, dando desenvolvimento a técnicas de fabricação e de troca, e diminuindo o prestígio das famílias da aristocracia proprietárias de terras, por quem e para quem os mitos foram criados;
A invenção da escrita alfabética – que, como a do calendário e a da moeda, revela o crescimento da capacidade de abstração e de generalização, uma vez que a escrita alfabética ou fonética, diferentemente de outras escritas – como, por exemplo, os hieróglifos dos egípcios ou os ideogramas dos chineses –, supõe que não se represente uma imagem da coisa que está sendo dita, mas a idéia dela, o que dela se pensa e se transcreve;
A invenção da política – que introduz três aspectos novos e decisivos para o nascimento da filosofia:
1. A idéia da lei como expressão da vontade de uma coletividade humana que decide por si mesma o que é melhor para si e como ela definirá suas relações internas.
2. O surgimento de um espaço público que faz aparecer um novo tipo de palavra ou de discurso, diferente daquele que era proferido pelo mito.
3. A política estimula um pensamento e um discurso que não procuram ser formulados por seitas secretas dos iniciados em mistérios sagrados, mas que procuram, ao contrário, serem públicos, ensinados, transmitidos, comunicados e discutidos.

professor
João Leandre Jorge