terça-feira, 27 de outubro de 2009


FILOSOFIA DA CIÊNCIA


A filosofia da ciência tem muitas vertentes. Para começarmos a pensar sobre essas vertentes, escolhemos o filósofo Larry Laudan.

Laudan, um filósofo contemporâneo, traz um diálogo fictício do que ele entende serem as Principais tendências contemporâneas da filosofia.

· Relativismo

· Positivismo

· Realismo

· Pragmatismo

Larry Laudan defende o pragmatismo. Ele traz para a discussão, alguns pontos importantes: primeiro o progresso e acumulacionismo, segundo, a Carga teoria e subdeterminação.

Relativismo é a teoria filosófica que se baseia na relatividade do conhecimento e repudia qualquer verdade ou valor absoluto. Todo ponto de vista é válido. Na filosofia moderna o relativismo por vezes assume a denominação de "relativismo cético", relação feita com sua crença na impossibilidade do pensador ou qualquer ser humano chegar a uma verdade objetiva, muito menos absoluta.

Positivismo é um conceito de perspectivas filosóficas e científicas que se iniciou no século XIX. O positivismo era a maneira de pensar que o pensamento positivo realizava os desejos, que ele tinha "poderes". Em linhas gerais, ele propõe à existência humana valores completamente humanos, afastando radicalmente a teologia e a metafísica (embora incorporando-as em uma filosofia da história

Realismo: Na Idade Média, surgiram três soluções para o problema dos universais e dos particulares, foram propostas: o realismo, o conceitualismo e o nominalismo. Para o realismo, os universais existem objetivamente, seja na forma de realidades em si, transcendentes em relação aos particulares (como em Platão, universais ante rem), ou como imanentes encontrados nas coisas individuais (como para Aristóteles, universidade in re)

Motivados pelas teorias científicas e filosóficas da época, os escritores realistas desejavam retratar o homem e a sociedade em sua totalidade. Não bastava mostrar a face sonhadora e idealizada da vida como fizeram os românticos; era preciso mostrar a face nunca antes revelada: a do cotidiano massacrante, do amor adúltero, da falsidade e do egoísmo humano, da impotência do homem comum diante dos poderosos.

Pragmatismo: constitui uma escola de filosofia, com origens nos Estados Unidos da América, caracterizada pela descrença no fatalismo e pela certeza de que só a ação humana, movida pela inteligência e pela energia, pode alterar os limites da condição humana. Este paradigma filosófico caracteriza-se, pois, pela ênfase dada às consequências - utilidade e sentido prático - como componentes vitais da verdade.

O Pragmatismo aborda o conceito de que o sentido de tudo está na utilidade - ou efeito prático - que qualquer ato, objeto ou proposição possa ser capaz de gerar. Uma pessoa pragmatista vive pela lógica de que as ideias e atos de qualquer pessoa somente são verdadeiros se servem à solução imediata de seus problemas. Nesse caso, toma-se a Verdade pelo o que é útil naquele momento exato, sem consequências.

A doutrina pragmatista pode ser explicada a partir do exemplo de Sartre, na célebre conferência “O existencialismo é um humanismo”. Ele diz ali que quando alguém procura um padre para obter resposta para uma pergunta, já sabe o que vai ouvir, mas quando procura a ele, filósofo, também já sabe. Todavia, isso não quer dizer que as respostas sejam equivalentes. A do padre, em geral, é sempre a mesma, pois não vai poder sair da doutrina estabelecida (ou deixará de ser padre). A do filósofo existencialista, em geral, também será sempre do mesmo padrão: “invente seu caminho”, dirá o existencialista. São respostas padronizadas, mas não levam ao mesmo ponto. Uma, é resposta mesmo, no sentido comum do termo. Outra é sugestão para usar a imaginação e lhe devolver a responsabilidade.

A doutrina pragmatista tem mais a ver com a segunda do que com a primeira. No entanto, o pragmatismo não fica só nisso, como deveria ficar o existencialismo. .
O filósofo pragmatista poderia dizer mais. E, em geral, diz mesmo. Ele diz: “use a imaginação, responsabilize-se pelo que inventar, mas...”. Sim! Há uma “mas”. Há uma sugestão positiva: “aposte na decisão mais vantajosa para você”.

Pragma tem a ver com prática, com experiência, e por isso falamos em pragmatismo. É uma filosofia que leva em conta a experiência, em todos os sentidos. É olhando para experiência que vemos que a vantagem tem sido uma conselheira da humanidade. Às vezes isso é tiro pela culatra. Mas teríamos outra coisa senão a experiência, a nossa e a de outro, para tomar como um guia de nossas decisões?

1 - Qual é a diferença entre o critério de demarcação científica para Popper e para Lakatos?

O mundo em que Karl Popper viveu foi o período da consolidação das ciências, um período bastante otimista no progresso científico. Também os resultados da revolução industrial inglesa do século XVIII, pareciam aflorar principalmente no âmbito produtivo e material.

Esse momento foi de suma importância para o “dogmatismo científico”, ou seja, a crença tal na ciência em que tudo poderia ser explicado pela ciência, essa postura elevou a ciência e a tecnologia acima de todos os outros saberes, principalmente o saber metafísico derivado da filosofia racionalista iniciada desde Platão e alcançando seu grau máximo de racionalismo com o filósofo francês René Descartes.

Foi com Popper que a ciência encontrou seus limites de forma mais definida. Na ótica de Popper a ciência produz teorias falseáveis, que só poderão ser validadas enquanto não forem refutadas.

Para Popper um enunciado científico só tem validade enquanto outro não o contradiga, em outras palavras, não há para Popper, enunciados tidos científicos, definitivos, isto quer dizer que todo enunciado deve ser submetido a teste, como também em princípio, passivo de refutação pelo falseamento.
A filosofia de Popper preocupa-se basicamente com a questão do conhecimento, isto é, com a epistemologia.

Na Lógica da pesquisa científica, Karl Popper empreenderá e manifestará a sua crítica ao positivismo lógico do Círculo de Viena.
Vale salientar que o termo racionalismo crítico foi cunhado pelo próprio Popper e já demonstra sua tendência em rejeitar em partes o empirismo clássico. Já no primeiro capítulo de sua Lógica da pesquisa científica, Popper faz menção a tarefa do teórico “analisar o método das ciências empíricas”

O problema da indução é o primeiro a ser salientado e criticado por Popper. Para o indutivismo, enunciados “singulares” ou “particulares” levaria necessariamente a verdades “gerais” ou “universais”. Popper rejeita essa forma de se fazer ciência, mas admite certo grau de “confiabilidade”, ou seja, inferências indutivas são “inferências prováveis”.

Com relação ao pensamento de Popper, Lakatos propõe um criticismo construtivo naquilo em que considerou como certo exagero. Popper foi muito negativo e destrutivo nas suas criticas. Procurando evitar as interpretações ingênuas do falsificacionismo, Lakatos reformulou as teorias de Popper de modo a poder, ainda, apresentar as revoluções científicas como resultantes de um progresso racional. A ideia central de Lakatos consiste em substituir o problema da apreciação de teorias pelo problema da apreciação de séries de teorias (ou mais exatamente de programas de investigação).

Dessa forma, as anomalias podem ser ignoradas desde que o programa de investigação consiga manter uma heurística positiva resultante dos desenvolvimentos teóricos, sendo apenas substituído quando surgir outro programa de investigação melhor.

Assim, uma experiência não pode, só por si, derrotar uma teoria, pois esta apenas pode ser derrubada por uma teoria melhor que apresente um conteúdo empírico adicional. Lakatos observa também que Popper não responde à sua própria pergunta reformulada: em que condições abandonariam o seu critério de demarcação? Para superar essa lacuna, Lakatos propõe o seguinte: meta-critério que é, de certa forma, uma extensão do seu critério de demarcação: uma teoria da racionalidade só deve ser abandonada quando se dispõe de uma melhor (sendo que melhor representa aqui a possibilidade de interpretar racionalmente uma maior quantidade de juízos de valor básicos na história da ciência). Assim como a metodologia de Popper constitui, para Lakatos, uma forma de progresso em relação às teorias justificacionistas da racionalidade, também o seu próprio critério de demarcação se apresenta como um novo avanço. Por exemplo, à luz da teoria de Popper, a descoberta do periélio anômalo de Mercúrio não devia ter permitido manter a teoria gravitacional de Newton enquanto, com base no novo critério de Lakatos, o desenvolvimento histórico (que não fez ruir a teoria apesar do fenômeno só ter sido explicado mais tarde por Einstein) se apresenta como perfeitamente racional.

2 - Por que se pode dizer que o pluralismo proposto por Feyerabend é mais radical do que aquele proposto por Lakatos?

"Conta-se a história de uma moça que era maior de um lado que do outro. Cortaram-lhe um pedaço do lado maior: cortaram além da conta. Ficou maior do lado que era dantes menor. Cortaram. Ficou de novo maior do lado que era primitivamente maior. Tornaram a cortar. Foram cortando e cortando. Eles queriam que ela ficasse normal. Não conseguiram. A moça acabou por desaparecer de tão cortada dos dois lados. Só algumas pessoas compreenderam."

Esta é uma história breve e, aparentemente, afastada do problema que este pequeno texto se propõe aflorar. Contudo, começar um pouco longe pode ser uma forma de, mais tarde, entender melhor. Na verdade, alguma filosofia das ciências, no intuito de separar os problemas científicos da pseudo-ciência (conhecido como problema da demarcação), incorre por vezes no mesmo erro que faz a mulher da história de Herberto desaparecer. No desejo de depurar os seus argumentos, de eliminar as imperfeições, alguma filosofia das ciências vive no permanente pânico de, no fim, não encontrar uma visão clara da ciência, mas apenas o vazio que, entretanto a substituiu.

Nesse sentido, a postura anarquista de Feyerabend é um contributo importante para afastar a atividade científica de uma matriz demasiado rígida que não atenda às suas múltiplas dimensões. Ao alargar as práticas metodológicas,

Feyerabend procurou introduzir um elemento de complexidade onde muitos viram apenas uma contaminação perigosa para as ciências.

Ao afirmar que todas as possibilidades são boas possibilidades metodológicas, Feyerabend procura, no essencial, prevenir-nos contra esquemas demasiado rígidos que podem fechar prematuramente alguns dos caminhos para o conhecimento.

O primeiro ataque feito por Feyerabend ao fundacionalismo resulta na proposta que ele faz da teoria pragmática da observação. Ele diz que é possível separar teoria de observação no processo de conhecimento.

Aquilo que percebemos do mundo vai muito além daquilo que é projetado em nossas retinas, em nossos olhos. A nossa interpretação daquilo que vemos é parte integrante do que vemos. Sendo assim, é impossível separar uma coisa da outra.

O olho é como uma máquina fotográfica: são apenas lentes, na verdade quem vê não é o olho, o olho apenas projeta a imagem na mente, mas quem vê são pessoas. Por isso, ver é uma experiência complexa, cada pessoa vê de modos diferentes e de cores diferentes o mesmo objeto ou coisa. Maquinas fotográfica e globos oculares são cegos.

Feyerabend diz que as observações não são apenas impregnadas de teoria, mas completamente teóricas.

Observações empíricas seriam apenas teorias observacionais. Ele diz que as teorias tem sentido independentemente das observações, mas as observações não tem sentido, a mesmo que estejam conectadas com teorias.

Enquanto que Imre Lakatos trabalha com a idéia do pluralismo teórico propondo o falseacionismo sofisticado dizendo que uma teoria para ser considerada cientifica, deve possuir um excedente de conteúdo empírico, ou seja, ter algo mais do que simplesmente a experiência, algo mais em relação à teoria rival, Feyerabend, na linha de renovação metodológica, afirma que em Ciência "tudo vale". Para ele, na verdade, não existe uma entidade monolítica chamada a "ciência", sendo impossível uma "teoria da ciência" ou mesmo um “método científico".

Para ele, os problemas científicos devem ser abordados e resolvidos nas próprias circunstâncias em que surgem. Dependem dos meios disponíveis naquele instante e dos próprios desejos daqueles que com eles trabalham, não existindo condições que possam limitar indefinidamente a pesquisa e a investigação científica.

Para progredir, afirma Feyerabend, "precisamos fazer um recuo que nos afaste da evidência, reduzir o grau de adequação empírica (conteúdo empírico) de nossas teorias, abandonar o que já conseguimos e começar de novo."

3 - Como se dá o progresso na ciência para os pragmatistas, segundo Larry Laudan?

O positivista admite o progresso na ciência quando uma teoria é superada pela outra de forma acumulativa, ou seja, vai-se aperfeiçoando, adquirindo progresso a partir do acúmulo, da adição de testes empíricos que somatizados, sobem outros degraus no conhecimento. Nessa concepção positivista, progresso é tido como sucesso demonstrado.

Para Larry Laudan, a posição pragmatista sobre o progresso, entende que essa acumulação dos positivistas não corresponde à realidade, pois não é verdade que uma teoria que surgiu a partir do acúmulo de outras teorias seja uma conseqüência lógica desse acúmulo.

Nesse ponto entra a pergunta: Será a acumulação uma condição necessária para que haja progresso?

O relativista responde que sim... Porque o realista entende que a ciência progride pela substituição. O pragmatista responde que não. O pragmatista entende que a substituição anula a experiência anterior. E a acumulação limite os testes nas experiências anteriores.

Para o pragmatista pode haver acumulação parcial, porque há ganhos e perdas cognitivas no desenvolvimento cientifico. Na perspectiva pragmática, o fim último da ciência é produzir teorias cada vez mais confiáveis, capazes de resistir aos testes.

Não é necessário o acúmulo histórico de teorias, pois todas as teorias recentes e mais antigas ficam sujeitas a testes rigorosos e autônomos.

4 - O que pensam os relativistas acerca do progresso na ciência? Como Thomas Kuhn se insere nessa problemática?

O relativismo é uma doutrina que prega que algo é relativo, contrário de uma idéia absoluta, categórica. Atitude ou doutrina que afirma que as verdades (morais, religiosas, políticas, científicas, etc.) variam conforme a época, o lugar, o grupo social e os indivíduos de cada lugar.

Na filosofia, o relativismo é a "Postura segundo qual toda avaliação é relativa a algum padrão, seja qual for, e os padrões derivam de culturas."

Os críticos dessa visão apontam que o relativismo torna impossível um avanço científico nas ciências da cultura na medida em que coloca todos os tipos de análise, absurdas ou não, em igualdade de veracidade.

A epistemologia ou a teoria do conhecimento é um ramo da filosofia que trata de problemas filosóficos relacionados à crença e ao conhecimento. A epistemologia também é considerada a “corregedoria” da ciência. Corregedor, antigamente era o representante do rei com autoridade para impor certo juízo num circulo ou comarca qualquer. Hoje, o corregedor é o juiz presidente de um circulo judicial. Dentro desse pensamento, a epistemologia tem sua parcela de autoridade dentro da filosofia porque ela abrange diretamente a lógica, a metafísica e o empirismo.

Thomas S. Kuhn ocupou-se principalmente do estudo da história da ciência, no qual mostra um contraste entre duas concepções da ciência:

  • Por um lado, a ciência é entendida como uma atividade completamente racional e controlada. Dentro dessa perspectiva a epistemologia se encaixa. (PERSPECTIVA FORMALISTA).
  • Em outro lado, a ciência é entendida como uma atividade concreta que se dá ao longo do tempo e que em cada época histórica apresenta peculiaridades e características próprias. (PERSPECTIVA HISTORICISTA).

Este contraste emerge na obra “A Estrutura das Revoluções Científicas”, e ocasionou o chamado giro histórico-sociológico da ciência, uma revolução na reflexão acerca da ciência ao considerar próprios da ciência os aspectos históricos e sociológicos que rodeiam a atividade científica, e não só os lógicos e empíricos e metafísicos, como defendia o modelo formalista, o qual estava a ser desafiado pelo enfoque historicista de Kuhn.

Desta maneira, o enfoque historicista dá importância a fatores subjetivos que anteriormente foram passados por alto na hora de explicar o processo de investigação científica. Kuhn mostra que a ciência não é só um contraste entre teorias e realidade, senão que há diálogo, debate, tensões e até lutas entre os defensores de distintos paradigmas. E é precisamente nesse debate ou luta onde se demonstra que os cientistas não são só absolutamente racionais, não podem ser objetivos, pois nem a eles é possível afastar-se de todos os paradigmas e compará-los de forma objetiva, senão que sempre estão imersos em um paradigma e interpretam o mundo conforme o mesmo.

Isto demonstra que na atividade científica influi tanto interesses científicos (ex: a aplicação prática de uma teoria), como subjetivos, como por exemplo, a existência de coletividades ou grupos sociais a favor ou contra uma teoria concreta, ou a existência de problemas éticos, de tal maneira que a atividade científica vê-se influenciada pelo contexto histórico-sociológico em que se desenvolve. Também é verdade que, epistemologicamente falando, Thomas Kuhn se guia por um paradigma para estudar a formação dos paradigmas!

5 - Explique o que é contra-indução, segundo Feyerabend.

Faz-se necessário um breve comentário sobre Indução para entendermos o ponto de vista de Feyerabend.

O raciocínio indutivo ensina que se uma situação se sustenta em todos os casos observados, então a situação se sustenta em todos os casos. Então depois de completar uma série de experimentos que suportam a Terceira Lei, está justificado manter que a lei se sustente em todos os casos.

Explicar o porquê de a indução comumente funciona tem sido um tanto problemático. Não se pode usar dedução, o processo usual de se mover logicamente de premissa à conclusão, porque não há um simples silogismo que permite tal movimento.

Não importa quantas vezes os biólogos do século XVII observaram cisnes brancos, e em quantas diferentes localizações, não há nenhuma via dedutiva que leve à conclusão de que todos os cisnes são brancos. Isto é assim também, desde que a conclusão teria sido errada, como se tornou mais tarde. Similarmente, é ao menos possível que uma observação será feita amanhã que mostre uma ocasião em que uma ação não é acompanhada por uma reação; o mesmo é verdade para qualquer lei científica.

Uma resposta tem tido de conceber uma forma diferente de argumento racional, uma que não confie em dedução. A dedução permite alguém a formular uma verdade específica de uma verdade geral: todos os corvos são pretos; isto é um corvo; então é preto. A indução meramente permite alguém a formular a probabilidade da verdade de uma série de observações específicas: isto é um corvo e é preto; isto é um corvo e é preto; então a nossa amostra de corvos demonstra que corvos são pretos;

Infalibilidade científica

Uma questão crítica em ciência é, até que grau o atual corpo do conhecimento científico pode ser tomado como indicador do que é realmente "verdade" a respeito do mundo físico em que vivemos. A aceitação do conhecimento como se ele fosse absolutamente "verdadeiro" e inquestionável (no sentido da teologia ou a ideologia) é chamado cientificismo.

Entretanto, é comum para os membros do público geral terem a visão oposta de ciência — muitas pessoas leigas acreditam que os cientistas estão fazendo afirmações infalíveis.

A ciência serve no processo de tomada de decisões por consenso por pessoas de diversos pontos de vistas éticos e morais vêm para concordarem. Em sociedades seculares e tecnológicas, sem qualquer concepção mais forte de realidade baseados em quaisquer outros terrenos religiosos ou morais, a ciência ver a servir como uma árbitra primária em disputas. Isso pode levar ao abuso do diálogo científico para fins políticos ou comerciais.

No entanto, a metodologia científica é hoje a melhor forma de se conhecer e de averiguar a realidade.

Interesse a respeito da grande disparidade entre como cientistas trabalham, e de como seus trabalhos são percebidos levou a campanhas públicas a educarem as pessoas leigas sobre ceticismo científico e o método científico;

Críticas da ciência

Paul Feyerabend argumentou que nenhuma descrição de método científico pode ser abrangente o bastante para incorporar todos os conceitos e métodos usados pelos cientistas. Feyerabend objetou ao método científico prescritivo nos campos que tal método poderia sufocar e barrar o progresso científico. Feyerabend afirmou: "o único princípio que não inibe o progresso é: tudo vale ".

segunda-feira, 26 de outubro de 2009


MÁQUINAS FOTOGRÁFICA

E GLOBOS OCULARES SÃO CEGOS

Aquilo que percebemos do mundo vai muito além daquilo que é projetado em nossas retinas, em nossos olhos. A nossa interpretação daquilo que vemos é parte integrante do que vemos. Sendo assim, é impossível separar uma coisa da outra.

O olho é como uma máquina fotográfica: são apenas lentes, na verdade quem vê não é o olho, o olho apenas projeta a imagem na mente, mas quem vê são pessoas. Por isso, ver é uma experiência complexa, cada pessoa vê de modos diferentes e de cores diferentes o mesmo objeto ou coisa.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

A disciplina da Filosofia na grade curricular do ensino médio no Brasil.

Em educação, existe uma diferença entre conteúdo curricular e componente curricular. O primeiro é o assunto que se trata na escola. O segundo é o nome da matéria.

Durante décadas, Filosofia deixou de ser um componente curricular no ensino médio. Mesmo que não haja uma disciplina com esse nome, nota-se a importância do conteúdo curricular de Filosofia nas escolas.

O governo federal brasileiro resolveu tornar obrigatórias as disciplinas de filosofia e sociologia na grade curricular do ensino médio. Essa medida traz uma serie de implicações porque, especialmente na disciplina de filosofia, o déficit de professores é grande, sem considerar a falta de preparo acadêmico já que a motivação para o estudo da filosofia esta fora de moda, porque o mundo se inclina para o consumismo e sua imagem, e deixam de lado o culto do pensamento.

Foram 37 anos de descaso para com a filosofia nas salas de aula. Desde 1971 não se ouvia mais dizer sobre filosofia e sociologia nas escolas e agora querem resgatar uma disciplina clássica que provoca desconfiança e desinteresse dos alunos contemporâneos e por conta do superficialismo da maioria dos docentes que confundem a disciplina da filosofia com a idéia de autoajuda ao invés da prática investigativa.

Para essa geração que nasceu com a primazia sensorial da imagem sobre a leitura, com a internet, os games, a televisão, não é fácil incutir os hábitos da leitura, até porque, jovens e adolescentes vêem a leitura como algo nada prazeroso. Nisso entendemos que pouco repertório existe para ser explorado já que o conteúdo filosófico esta impregnado às letras, ou seja, é preciso ler.

Se por um lado isso traz certa insegurança, por outro nos abre possibilidades de construção e reflexão, sobretudo na perspectiva da formação da consciência crítica ou, se preferirmos, a passagem da consciência ingênuo-mitológica para a visão racional-crítica.
Nesta perspectiva, autores contemporâneos têm discutido o ensino da filosofia no nível médio sob o referencial pedagógico. Isto quer dizer que "o próprio" da filosofia no ensino médio não parece ser exatamente o mesmo do que lhe é característico num curso universitário de filosofia, para alunos que querem estudar filosofia.

Esta disciplina, quando pensada ao lado de diversas outras na grade do ensino médio, parece remeter a um método propedêutico de si mesma; em outras palavras, aquilo que os alunos universitários de filosofia fazem em seu estudo - análise de texto, encadeamento lógico-sistemático, levantamento de teses, comparação de autores e idéias etc. - parece exigir algo anterior: o exercício filosófico. .
Diversas são as posições e longe estamos de um consenso no Brasil. “a meta da filosofia é 'formar e exercer formalmente o pensamento', ou seja, 'ensinar a pensar especulativamente”. Tal enfoque, voltado para o ensino médio, parece fugir aos dois modos mais conhecidos de ensino da filosofia: aquele que se organiza pelo estudo de temas filosóficos e aquele que tem a história da filosofia como o próprio programa de estudos.

Tal idéia do estudo da filosofia como exercício parece dispensá-la de fornecer um conteúdo fechado ao aluno do nível médio. Sílvio Gallo propõe um método de ensino alternativo tanto à adoção de temas quanto da história da filosofia (GALLO, 2006).

O autor desenvolve aquilo que chama de "três possíveis eixos curriculares": o histórico, o temático e o problemático. No primeiro, o professor segue a cronologia histórica da filosofia ou dos sistemas filosóficos; no segundo, há uma tentativa de aproximação maior entre a filosofia e a realidade dos alunos através do estudo de temas; no terceiro, avança-se para além dos temas ou da história, trabalhando muitas vezes com eles, buscando tomar a filosofia como uma ação, uma atividade, posto que se organiza em torno daquilo que motiva e impulsiona o filosofar, isso é, o problema.

A filosofia enquanto exercício de problematização nos leva a considerar a importância dos conceitos e da argumentação. Isso implica afirmar que o exercício da problematização pelo evidenciar dos conceitos e pela compreensão do encadeamento argumentativo pode possibilitar ao aluno compreender os princípios segundo os quais as coisas se apresentam deste ou daquele modo.

Gallo afirma que o entendimento da filosofia como atividade, como ação, leva-nos a entendê-la como um "ato do pensamento". no ensino da filosofia "não basta que ensinemos seu produto, mas é essencial que façamos a própria experiência". Trata-se muito mais de levar os alunos à experiência de "orientar-se no pensamento".

O problema aparece, pois, como possibilidade de algo novo, de novo conhecimento ou de nova forma de interpretação sobre conhecimentos anteriores. É preciso que o professor de filosofia deixe que os alunos fabriquem suas próprias questões, porque a "arte de construir um problema é muito importante: inventa-se um problema, uma posição de problema, antes de se encontrar a solução".
A importância da geração de problemas por parte dos alunos está, sobretudo, no fato de que "os problemas filosóficos não se encontram nos textos dos filósofos e sequer podem ser comunicados pelos professores de filosofia". De onde, então, nascem os problemas? Do cotidiano real dos alunos; "emergem dos acontecimentos e das experimentações" com os quais se envolvem (GALLINA, 2004, p.361).

Desse cotidiano real, os docentes intelectuais não serão iluministas a ponto de darem soluções automáticas para quem esta na “caverna”. Eles serão pessoas humildes que auxiliem os alunos a terem autonomia, ou seja, a capacidade de escolher, a pensar e refletir por si mesma, mas sem que isso implique a individualização da vida. Ao contrário, ser humano é ser junto.

A pergunta qual a função da filosofia na educação básica, de maneira bem rústica, eu diria que: é repartir possibilidades. É dar esperança aos projetos de vida, resgatar o gosto pela investigação do conhecimento e mostrar a ciência como ferramenta da liberdade e, a educação, como veículo de solidariedade e fraternidade.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A forma da filosofia

Todos nós, pelo menos uma vez na vida, tivemos que comunicar um pensamento, ou da gente, ou de outra pessoa, para uma platéia ou a quem quer que seja, com o propósito de sermos compreendidos.
A discussão sobre o ensino da filosofia, sobre sua didática, é algo extremamente complicado de se colocar se não transmitirmos com clareza nas palavras a definição da filosofia e do filosófico.
Ao falarmos da didática da filosofia falamos de muito mais do que ensino da filosofia. Tocamos num ponto fundamental da definição do filosófico.
Mas, como transmitir com clareza o ensino filosófico se nem mesmo temos clareza sobre o que é filosofia?
Se existe de fato essa dificuldade, esse problema em transmitir o ensino da filosofia, poderia ao menos poupar as pessoas dos termos filosóficos como: devir, epistêmico, idiossincrasias, anomalias, heurística, ubíquo, noéma, empírico, apodíticas, imanência, cogito, empeiria, ataraxia, hipotiposes, skepsis, entre tantos outros nomes que mais afastam as pessoas do que as aproximam da filosofia.
Para simplificar, Podemos ter noções do filosófico, mas não podemos ter um conceito. Podemos entender o filósofo como aquele que não se contenta com um pensamento que deixou de ser um enigma, que ficou claro. Quem fica contente com tais definições não pode ser chamado de filósofo.
O filósofo não é um sábio, ele é amante da sabedoria. É aquele que se interessa por muitas coisas, busca muitas coisas. Espanta-se com elas. Como diria Platão: “ o espanto é a verdadeira característica do filósofo”.
Espantar-se, em grego, é o mesmo que: sofrer o impacto do maravilhoso, ou do monstruoso.
Filosofar, discutir o ensino da filosofia é o mesmo que desvendar problemas maiores, sensação de dúvidas, desnortear dificuldades que ainda não enxergamos, afinal, problema, no grego, em outras palavras é “próblema”: o que impede a visão, ou seja, desvendar, o que significa: tirar a venda dos olhos, tirar o lenço dos olhos para que fique claro, para clarear.
Já que a filosofia vem do espanto diante do incompreensível, do dificultoso, ela deixa de ser filosofia quando desvenda o problema.
Definir filosofia por seu caráter ativo pode nos dar a impressão de vagueza, de algo vago.
Descartes, descartou Aristóteles e nos aconselhou a duvidar de tudo aquilo que parece ser falso. Locke escreve uma carta considerando desprezível a dúvida de descartes, os filósofos buscamo saber, mas, todos os homens , por natureza, buscam o saber, porém, nem todos os homens são filósofos. Toda expressão humana é atividade.
O que diferencia a atividade humana da atividade filosófica é que esta última é investigativa. A filosofia, antes de ser a pratica humana da explicação, da obtenção de respostas, ela é a prática humana da desconfiança que nos permite “pensar com a própria cabeça” promovendo assim o exercício da inteligibilidade porque toda desconfiança procura por esclarecimento.
Kant dizia: Só é possível aprender a filosofar, ou seja, a exercitar o talento da razão, fazendo-a seguir os seus principios universais, mas sempre reservando à razão o direito de investigar aqueles princípios, ate mesmo em suas fontes, confirmando-os ou rejeitando-os.Exercitar o talento do pensamento é a tarefa de quem busca aprender filosofia.
A atividade matemática é atividade humana. mas a atividade matematica produz matematica. A matematica, esse produto da atividade humana, "aliena-se" da atividade humana que a esteve produzindo. o autentico matematico criativo é precisamente uma personificação, uma encarnação dessas leis que só se podem compreender na ação humana. Sua encarnação, porém, raramente é perfeita. A atividade dos matemáticos humanos, tal como aparece na historia, é apenas uma tosca concretização da dialética maravilhosa de idéias matemáticas.
LAKATOS - 1976

domingo, 11 de outubro de 2009