quinta-feira, 16 de julho de 2009

OS MITOS E OS MITOS

Os mitos e os mitos

O mito da caverna nos leva a pensar na realidade do ser humano que aprisionado no mundo visível não consegue se elevar, ou elevar sua alma para o mundo real, no caso, o mundo das idéias.

Acontece que Hesíodo, viaja demais em suas idéias e cria um outro mundo mítico que a sua viagem se torna exclusivamente dele, e somente dele, de mais ninguém. Acreditar em Orion, filhas de Atlas, Arturus, Sírios e outros deuses, realmente é difícil acreditar que este seja um mundo real.

Certamente eu seria um dos que questionariam tal existência, pois se trata de idéias demais radicais. Nesse ponto talvez eu estivesse na caverna e não aceitaria os deuses gregos.

Penso que se as idéias orbitarem num mundo lógico, racional, sejam mais fáceis em acreditar na possibilidade de existências abstratas, mesmo que de imediato fiquem confusas na mente. Apesar da suposta confusão, quando existe uma didática inteligível por parte de quem tem a idéia, talvez consiga-se entender esta viagem “maluca” do filósofo.

Filosofar, acredito eu, apesar da filosofia não ter uma explicação e um fim em si mesma, é algo fantástico quando se consegue sair da caverna e colocar para os escravos da caverna algo que realmente é vivo lá fora e pode trazer vida e luz para o conhecimento racional, lógico e inteligível, mesmo quando a filosofia se torna ciência a ponto de descobrir a essência de algo, ela não se esgota ai, pois não existiria ciência antes da filosofia, porem a filosofia existe sem a ciência.

A filosofia nascente é assim conhecida a partir do surgimento da filosofia na Grécia. Há quem discuta essa possibilidade, pois antes mesmos dos gregos, o mundo oriental filosofou abundantemente. Alguns dizem que o eurocentrismo tenha sido a política adotada para atribuir aos gregos tal identidade.

Podemos apontar como sendo as principais condições históricas do surgimento da filosofia na Grécia:
As viagens marítimas – que permitiram aos gregos descobrir que os locais que os mitos diziam habitados por deuses, titãs e heróis eram, na verdade, habitados por outros seres humanos; e que as regiões dos mares que os mitos diziam habitadas por monstros e seres fabulosos não possuíam nem monstros nem seres fabulosos. As viagens produziram o desencantamento ou a desmistificação do mundo, que passou, assim, a exigir uma explicação sobre sua origem, explicação que o mito já não podia oferecer;
A invenção do calendário – que é uma forma de calcular o tempo segundo as estações do ano, as horas do dia, os fatos importantes que se repetem, revelando, com isso, uma capacidade de abstração nova, ou uma percepção do tempo como algo natural e não como um poder divino incompreensível;
A invenção da moeda – que permitiu uma forma de troca que não se realiza através das coisas concretas ou dos objetos concretos trocados por semelhança, mas uma troca abstrata, uma troca feita pelo cálculo do valor semelhante das coisas diferentes, revelando, portanto, uma nova capacidade de abstração e de generalização;
O surgimento da vida urbana – com predomínio do comércio e do artesanato, dando desenvolvimento a técnicas de fabricação e de troca, e diminuindo o prestígio das famílias da aristocracia proprietárias de terras, por quem e para quem os mitos foram criados;
A invenção da escrita alfabética – que, como a do calendário e a da moeda, revela o crescimento da capacidade de abstração e de generalização, uma vez que a escrita alfabética ou fonética, diferentemente de outras escritas – como, por exemplo, os hieróglifos dos egípcios ou os ideogramas dos chineses –, supõe que não se represente uma imagem da coisa que está sendo dita, mas a idéia dela, o que dela se pensa e se transcreve;
A invenção da política – que introduz três aspectos novos e decisivos para o nascimento da filosofia:
1. A idéia da lei como expressão da vontade de uma coletividade humana que decide por si mesma o que é melhor para si e como ela definirá suas relações internas.
2. O surgimento de um espaço público que faz aparecer um novo tipo de palavra ou de discurso, diferente daquele que era proferido pelo mito.
3. A política estimula um pensamento e um discurso que não procuram ser formulados por seitas secretas dos iniciados em mistérios sagrados, mas que procuram, ao contrário, serem públicos, ensinados, transmitidos, comunicados e discutidos.

professor
João Leandre Jorge

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