terça-feira, 13 de outubro de 2009

A forma da filosofia

Todos nós, pelo menos uma vez na vida, tivemos que comunicar um pensamento, ou da gente, ou de outra pessoa, para uma platéia ou a quem quer que seja, com o propósito de sermos compreendidos.
A discussão sobre o ensino da filosofia, sobre sua didática, é algo extremamente complicado de se colocar se não transmitirmos com clareza nas palavras a definição da filosofia e do filosófico.
Ao falarmos da didática da filosofia falamos de muito mais do que ensino da filosofia. Tocamos num ponto fundamental da definição do filosófico.
Mas, como transmitir com clareza o ensino filosófico se nem mesmo temos clareza sobre o que é filosofia?
Se existe de fato essa dificuldade, esse problema em transmitir o ensino da filosofia, poderia ao menos poupar as pessoas dos termos filosóficos como: devir, epistêmico, idiossincrasias, anomalias, heurística, ubíquo, noéma, empírico, apodíticas, imanência, cogito, empeiria, ataraxia, hipotiposes, skepsis, entre tantos outros nomes que mais afastam as pessoas do que as aproximam da filosofia.
Para simplificar, Podemos ter noções do filosófico, mas não podemos ter um conceito. Podemos entender o filósofo como aquele que não se contenta com um pensamento que deixou de ser um enigma, que ficou claro. Quem fica contente com tais definições não pode ser chamado de filósofo.
O filósofo não é um sábio, ele é amante da sabedoria. É aquele que se interessa por muitas coisas, busca muitas coisas. Espanta-se com elas. Como diria Platão: “ o espanto é a verdadeira característica do filósofo”.
Espantar-se, em grego, é o mesmo que: sofrer o impacto do maravilhoso, ou do monstruoso.
Filosofar, discutir o ensino da filosofia é o mesmo que desvendar problemas maiores, sensação de dúvidas, desnortear dificuldades que ainda não enxergamos, afinal, problema, no grego, em outras palavras é “próblema”: o que impede a visão, ou seja, desvendar, o que significa: tirar a venda dos olhos, tirar o lenço dos olhos para que fique claro, para clarear.
Já que a filosofia vem do espanto diante do incompreensível, do dificultoso, ela deixa de ser filosofia quando desvenda o problema.
Definir filosofia por seu caráter ativo pode nos dar a impressão de vagueza, de algo vago.
Descartes, descartou Aristóteles e nos aconselhou a duvidar de tudo aquilo que parece ser falso. Locke escreve uma carta considerando desprezível a dúvida de descartes, os filósofos buscamo saber, mas, todos os homens , por natureza, buscam o saber, porém, nem todos os homens são filósofos. Toda expressão humana é atividade.
O que diferencia a atividade humana da atividade filosófica é que esta última é investigativa. A filosofia, antes de ser a pratica humana da explicação, da obtenção de respostas, ela é a prática humana da desconfiança que nos permite “pensar com a própria cabeça” promovendo assim o exercício da inteligibilidade porque toda desconfiança procura por esclarecimento.
Kant dizia: Só é possível aprender a filosofar, ou seja, a exercitar o talento da razão, fazendo-a seguir os seus principios universais, mas sempre reservando à razão o direito de investigar aqueles princípios, ate mesmo em suas fontes, confirmando-os ou rejeitando-os.Exercitar o talento do pensamento é a tarefa de quem busca aprender filosofia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário