HERMENÊUTICA
Primariamente, hermenêutica significa expressão de um pensamento, mas já em Platão se ampliou o seu significado à explicação ou interpretação do pensamento.
Além de designar a arte ou ciência de interpretar as Sagradas Escrituras, o termo tem sido importante na filosofia contemporânea, especialmente por obra de Dilthey.
Segundo este autor, a hermenêutica não é só uma mera técnica auxiliar para o estudo da história da literatura e em geral das ciências do espírito: é um método igualmente afastado da arbitrariedade interpretativa romântica e da redução naturalista, que permite fundamentar a validez universal da interpretação histórica.
É uma interpretação baseada num prévio conhecimento dos dados (históricos, filosóficos, etc.) da realidade que se trata de compreender, mas que simultaneamente dá sentido aos citados dados por intermédio de um processo inevitavelmente circular, muito típico da compreensão enquanto método peculiar das ciências do espírito.
A hermenêutica permite compreender um autor melhor do que ele se compreendia a si mesmo, e uma época histórica melhor do que puderam compreendê-la os que nela viveram.
A hermenêutica baseia-se, além disso, na consciência histórica, a única que pode chegar ao fundo da vida.
Passa, pois dos sinais às vivências originárias que lhe deram nascimento; é o método geral de interpretação do espírito em todas as suas formas e pontos constituem uma ciência de maior alcance que a psicologia e, para Dilthey, é apenas uma forma particular da hermenêutica.
Reconhecendo a sua dívida para com Dilthey, Heidegger intentou uma nova fundamentação da hermenêutica.
Em sua opinião, esta é um modo de pensar originariamente tudo o dito num dizer.
Portanto a hermenêutica não é uma direção dentro da fenomenologia nem tão pouco um modo de pensar sobreposto a ela.

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